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Por Liliane Fonseca

Fiquei distante do Foco em Gerações por cerca de três meses. Nesse período, me formei e, oficialmente, entrei no mercado de trabalho, não mais como estagiária, e sim como profissional. Durante os dois últimos meses de 2009, fiz parte de uma turma de quinze Y aprovados em um programa de trainee, passando por uma integração bastante intensa. A experiência foi incrível, e continua sendo, mas pensando em “mercado” e “gerações”, pude observar alguns fatos curiosos nessa relação entre os jovens e os mais experientes.

É engraçado perceber que as qualidades dos Y são, ao mesmo tempo, desejadas e repelidas. Um dia ainda vou entender porque esperam velocidade dos Y, mas causa estranhamento quando um de nós “pula” um nível hierárquico para resolver um problema. Ou então, querem dinamismo e pessoas multitarefas e acham ruim que fiquemos com sono em uma palestra chata. São situações complicadas porque passam por diferentes pontos de vista.

Um fato curioso ocorreu quando, em uma palestra de uma pessoa mais senior da companhia, alguns Y cruzaram as pernas em cima da cadeira. Soubemos depois que essa pessoa se sentiu desrespeitada por isso, enquanto para nós, foi uma postura totalmente comum. A maioria das organizações de médio a grande porte possui pessoas de todas as gerações. Mesmo conhecendo o clima da empresa e sabendo que é bastante informal, é preciso estar atento a essas situações.

Hoje, acredito muito em alinhar expectativas.

Desde o começo de janeiro, estou efetivamente exercendo minha função e pude confirmar que os jovens entram no mercado de trabalho com grandes expectativas, ansiedade e muita vontade de fazer a diferença. A cada oportunidade que passa pela minha frente dentro da companhia, tenho vontade de abraçar a causa e fazer acontecer na mesma hora, mas o ritmo não é bem esse. Preciso entender o que é possível e ainda o que é esperado de mim (e isso é tão complicado!).

Da mesma forma que para X e Boomers é complicado nos receber, para nós a situação é até mais confusa. Precisamos nos encaixar em sistemas prontos e que não estão totalmente preparados para nos compreender. Por enquanto, tenho seguido o caminho do diálogo, onde tento observar e expor para meus gestores como me sinto, sendo bom ou ruim. Tem dado certo, me conforta e segura a minha ansiedade, mas será que as outras gerações estão prontas para ouvir a sinceridade dos Y?

3 Responses to “A chegada dos Y’s nas empresas”

  1. Eris Oliveira disse:

    Muito bom o post. Eu acredito que nem eles saibam o que esperar de nós.

  2. Glauber Couto disse:

    Muito legal este post. Também faço parte da geração Y e como estamos acostumados a fazer muito rápido, realmente uma coisa que não temos muito é paciência. Acho que pelo menos isso temos que aprender com os X e os Boomers.
    Realmente o diálogo é a melhor maneira de fazer com que eles nos entendam, até que se construa algo que seja capaz de acompanhar nosso ritmo.

  3. Angela disse:

    Adorei o post. É muito interessante verificar as expectativas que as empresas têm sobre um capital humano: ágil, dinâmico, pró-ativo, criativo. Porém quando se dão conta que os Y´s são desta forma e como o texto disse até “pulam hierarquia” para resolver questões não sabem como lidar com isso… Há muito que aprender com os Y´s.

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