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Por Clara Zaiantchik

Vejo muitos jovens querendo mudar o mundo de forma instantânea, espalhando idéias aos sete ventos e se tornando, cada vez mais, os grandes conhecedores da tecnologia. Assisto aos meus próprios filhos, dentro de casa, assumindo obrigações muito cedo e fazendo malabarismos para se equilibrar em meio às suas infinitas responsabilidades. Tudo isso me faz ter a certeza de que essa geração apresenta uma pulsão de vida que vai às alturas e jamais desiste do que quer. Ao mesmo tempo, sinto-me tranquila em perceber que aquilo que ofereci a eles desde cedo surte um efeito maior do que esperado.

Por outro lado, às vezes me pergunto o preço que esse panorama tem para mim, no papel de mãe. Sim, pois ao mesmo tempo em que a rapidez com que eles caminham faz com que avancem cada vez mais, chega um certo tempo em que nós, pais, não temos força suficiente para alcançar seus passos. Nesse momento, até seus rastros ficam suaves e quase imperceptíveis, já que procuram nem colocar os pés no chão – eles simplesmente voam.

Eu sempre soube que eles iriam voar. Sempre. É claro que, desde a infância até o começo da adolescência, a gente procura acreditar que os filhos ficarão o tempo todo em nossos braços, precisando imensamente de conselhos e se referindo a nós como seus únicos confidentes. Porém, mesmo com alguns sentimentos nostálgicos que insistem em me visitar de vez em quando, eu nunca os proibi de correrem atrás de seus sonhos.

Assim, constrói-se um paradoxo, pois ainda que eu os incentive a serem autores de sua própria história e continue defensora da liberdade oferecida aos nossos jovens, não posso deixar de questionar o lugar da família em meio a esse panorama. Como sobrevivem os laços afetivos em um ambiente no qual a troca é tão escassa e, quando ocorre, é superficial?

Como trazer de volta a valorização do núcleo familiar em um ambiente no qual os pais fingem que têm autoridade, os filhos fingem que obedecem e as relações fingem que existem?

Observo, nos mais diversos lares, cada um chegando em horários diferentes para jantar e, no fim, comendo sozinho; a mãe assistindo à novela na sala enquanto fala ao telefone e, por fim, o filho que se senta, por um momento, para lhe “fazer companhia”, quando na verdade está twittando via mobile phone.

Não posso negar que o mundo gira mais rápido do que meus olhos conseguem acompanhar, nem dizer que o calor humano consegue ganhar a disputa com a tecnologia, já que ela leva o jovem para onde ele quiser, quando desejar e do modo como bem entender. Porém, como alguém que possui uma boa dose de otimismo, ainda acredito que um abraço, uma palavra ou um carinho, mesmo que sejam tão rápidos como um clique de computador, têm o poder de levar essa geração mais longe em termos de ética, respeito e laços afetivos.

A família só poderá ser valorizada se entendermos que, apesar da modificação de tendências, os princípios que regem os relacionamentos humanos sempre permanecem. Apenas assim poderemos nos reinventar como pais, entender nossos filhos e estabelecer o verdadeiro vínculo com eles.

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4 Responses to “As tendências tecnológicas e o novo foco atribuído à família”

  1. Thais Nobile disse:

    GRANDE CLARA!

  2. julianna disse:

    Tia Clara (sim, baby boomer pra mim se não é pai e mãe é tio e tia), acho que a resposta está logo no incío do seu texto. Acredito que uma forma de fortalecer relações é investir um pouco mais da profundidade. Se o jovem quer “mudar o mundo de forma instantânea, espalhando idéias”, acho que a família pode ajudá-lo a mudar o mundo de forma real e, mais do que espalhando idéias, espalhando ações.

    Ótimo texto. Bom pra reflexão.

  3. ester disse:

    me sinto privilegiada em vivenciar tao proxima dessa familia tao unida,linda,
    col a cavod
    amo a vcs todos
    bjs
    ester c. aizic

  4. wiliane disse:

    gostei esta muito legal

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