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Por Julianna Antunes

Sim, confesso, gosto de American Idol. Sei que é brega, é jeca, é cafona, mas eu gosto. E gosto mesmo. Assisti todas as temporadas, guardo o vídeo de algumas apresentações memoráveis no computador, a cada ano escolho um ou dois participantes para torcer veementemente e por aí vai. Como assisto pelo espetáculo musical, começo a gostar mesmo do programa quando entra na fase de shows e eliminações do público.

Ao contrário de mim, a maioria curte a fase inicial, das audições, que é quando o povo sem noção se expõe ao ridículo. E é justamente sobre essa fase que eu quero me aprofundar. Nunca vi a versão brasileira, portanto não saberia dizer se as reações são as mesmas, mas o que me intriga nesta etapa do reality show é a falta de bom senso de 99% dos candidatos.

É claro que vários candidatos participam do programa com o único objetivo de aparecer e provocar gargalhadas em milhões e milhões de espectadores. Mas a verdade é que muitos ali acreditam que realmente poderiam ser o próximo american idol, sem se darem conta do papelão que estão fazendo. Mas afinal, o que isso tem com a geração Y? Ora, tudo a ver!

A começar pela faixa etária dos participantes, que é, em média, de 16 aos 28 anos, ou seja, os Gen Y, de fato e de direito. Além disso, fica claro que a maioria fez jus ao título de geração troféu. São filhos de pais que não souberam dizer não, que os endeusaram desde pequenos, fazendo com que crescessem achando que conquistar o mundo seria uma simples questão de tempo.

Para mim, muito mais engraçado que o vexame em rede internacional, já que o programa é transmitido para centenas de países, é a reação dos candidatos ao terem de lidar com a rejeição. A frase mais ouvida nessas horas é algo do tipo: “meus pais dizem que eu canto bem, todo mundo diz que eu canto bem, vocês estão errados”. E nisso a indignação se instala e não é raro ver algum deles discutindo com os jurados ou tentando novamente participar do programa nos anos seguintes. E o vexame se repete.

É claro que, por conta do próprio contexto deste reality show, muitas pessoas se deslumbram pela possibilidade de fama e dinheiro, pela conquista do tão propalado “american dream”. Mas quantos não estão ali simplesmente porque passaram a vida inteira ouvindo da família que eles eram bons, que eram os melhores e que mesmo quando o mundo dizia o contrário, eram compensados de alguma forma para não ter de lidar com a frustração?

E agora pergunto: o que nós, geração Y, podemos aprender com essas cenas tão embaraçosas? Será que num escopo menor, para uma plateia muito mais restrita, às vezes não nos comportamos dessa mesma forma? Será que mais do que andar com a autoestima lá em cima, por crescermos ouvindo de pessoas próximas o quanto somos bons, não seria mais proveitoso para nossas vidas, principalmente no aspecto profissional, que buscássemos o auto-conhecimento e entendêssemos nossos limites?

One Response to “A Geração Y na ótica do American Idol”

  1. Rodrigo disse:

    Julianna, adorei o tema do post. As pessoas se dizem abertas e juram que sabem lidar com as críticas, mas falta humildade para ouvir e filtrar a mensagem. De antemão já classificam qualquer feedback ou orientação como ofensa, inveja e por aí vai. É tudo uma questão de tentar enxergar as coisas sob outro ponto de vista e avaliar a situação. Mas nem isso…
    Você está certa quando diz que não sabemos nos frustrar.

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