
Por Manuela Mesquita
Estava eu, um dia desses, conversando com um típico garoto de 17 anos. Tão geração Y quanto eu, mas muito, muito mais conectado, mais acostumado às tecnologias, às mídias sociais e à velocidade das coisas. Impressionante como oito anos – que é nossa diferença de idade – influenciam na forma de lidar com o mundo. Pertencemos à mesma geração, mas nosso conhecimento (e interesse!) pela conectividade é bem diferente.
Conheci ele na Campus Party que, como todos sabem (ou não), é a grande festa de tecnologia que reúne estudantes, profissionais e interessados no assunto para entender as inovações, as novas formas de comunicação e tudo o que tem surgido com as ferramentas da modernidade.
Bem, não vou me prender aqui ao ambiente surreal que se configura no pavilhão durante toda a semana – prometo contar isso em outro post – mas a coisas que vi por lá e que de fato me trouxeram à tona como o mundo está diferente.
Fui conversar com o garoto que estava acampando no local, pelo segundo ano, mais para entender qual era o seu interesse na festa. Seriam as baladas que rolam à noite na semana ou a possibilidade de encontrar outros jovens descolados e antenados?
Isso também contou, mas o real interesse era mesmo saber dos últimos softwares, do que tem surgido no segmento e quais as diferenças em relação ao último ano em que a feira aconteceu.
E ele começou a dizer que sempre gostou de tecnologia, de computador. Desde os três anos de idade. “Desculpe, desde quando?” Sim, o garoto mexe no computador desde essa época, quando seus pais trabalhavam fora e a falta de irmãos e de companhia para brincar fez com que recorresse a este “brinquedo”.
Eu logo imaginei que os pais deveriam ser viciados em tecnologia e transmitiram isso ao filho. Mas não, ele contou que os pais não gostavam de nada disso e apenas agora estava introduzindo essa cultura em casa. “Minha mãe agora já tem até Twitter. Assim acompanha o que faço”, disse ele com um sorriso de satisfação no rosto.
E então perguntei quantas horas por dia ele ficava conectado. Vergonha! Ele olhou pra mim com uma cara de “que mundo ela vive?” e respondeu “o tempo todo ué, se não é pelo laptop, é pelo celular ou qualquer outro meio”. Humpf.
E como os pais da outra geração lidam com isso? O que acham de tanto empenho e tempo dedicado ao uso de tecnologia, que possivelmente limita o contato presencial?
“Ah, já se acostumaram. Minha mãe só fica brava quando ‘twitto’ as coisas que ela diz na mesa de jantar”.
E explicou que não era o fato de twittar na mesa que incomodava, mas sim de expor a intimidade da família, o que também só era visto pela mãe por meio de seu próprio Twitter. “Ela acha ruim que eu fique zuando pela internet”. Por que será hein?
Bem, eu não chequei, mas talvez até eu mesma tenha sido alvo de twittadas após a conversa. Afinal, mesmo sendo jovem, (e geração Y) fiquei um tanto impressionada com essa geração que está entrando no mercado.
E no caso do Rodrigo, essa entrada já aconteceu há três anos, quando tinha 14. Afinal, como bom membro da geração Y, ele não agüentou esperar a maioridade para fazer isso, já se sentia pronto. E hoje, já se sente experiente. E eu, por um instante, me senti velha, aos 25 anos. É, são nos novos tempos.




