O Carnaval do grupo especial do Rio desse ano já estava marcado quando a Unidos da Tijuca entrou na avenida.
O carnavalesco da escola inovou, com cuidado, e sem “perder o ponto”, já que inovação, no Carnaval das avenidas, é assunto delicado.
Cada escola parece uma organização. Tem suas estruturas hierárquicas, tem autoritarismo, tem briga pelo poder, tem disputa, mas quando entra na avenida vira um time só.
As diferenças mais gritantes, no meu ponto de vista, estão na capacidade de improvisação desta “empresa” quando a coisa não funciona como planejada, tendo minutos pra decidir o que fazer em tempo real e a capacidade de esquecer todas as disputas internas pra ser uma só na avenida.
Quem dera todas as nossas empresas pudessem ser o que as escolas de samba são, não só na frente do público, mas depois que samba-enredo e carnavalesco são definidos.
Apenas 15 anos tem o autor da grande inovação desse Carnaval. Surgiu com uma idéia na cabeça e mandou pelo Orkut pro Paulo Barros, carnavalesco da Tijuca, por entender que seu estilo combinaria com o tema. Vinícius deu o enredo “É Segredo” e Paulo criou a escola campeã de 2010, baseado na inspiração do garoto após ter lido o livro “Atlantis”.
É claro que Vinícius não mandou uma idéia sem pé nem cabeça. Desde os seus 8 anos acompanha os temas das escolas de samba e conhece a cabeça de cada carnavalesco. Sabia que ousadia combinava com o Paulo Barros. E tinha desenhos, idéias, que o carnavalesco aperfeiçoou.
Paulo tem quase 50 anos. Mas ousou não só no enredo. Ousou quando escutou um menino de 15, pelo Orkut, lhe enviando uma excelente idéia.
Talvez ele tenha compreendido que a decisão do tema deveria vir de quem está de fora, de quem anseia por um carnaval bonito e está do lado de lá dos muros da agremiação.
Vinícius não é nem da geração Y. É mais novo. Mas teve a capacidade de perceber o que pode cair no gosto do povo. E Paulo teve a capacidade de interagir com outros, mesmo que de diferentes gerações.
Provavelmente alguém mais velho teria sugerido um tema mais tradicional. São os jovens que costumam acreditar na inovação. Mas na empresa Unidos da Tijuca essa troca foi possível: diferentes gerações trabalharam juntas e provaram que isso dá certo.
Não estou dizendo que só os jovens possam dar idéias inovadoras, nem que todas as suas idéias sejam factíveis. Mas que é importante o diálogo constante, para que eles exponham suas idéias e para que seus superiores possam lhes dizer se é possível ou não.
O risco que corremos diariamente é que todos os chefes encontrem uma boa desculpa para não escutarem as idéias dos jovens. O risco é que todos os jovens pensem que todas as suas idéias são fantásticas.
Mas se essas questões forem bem trabalhadas nas organizações, teremos mais campeões nos carnavais das empresas.





