Por Liliane Fonseca
Hoje comecei a escrever um e-mail e cheguei ao seguinte trecho:
“…ípsilonmente acabei falando com você antes de passar por ela…”
Deixando de lado a licença poética do termo que eu inventei, parei e refleti sobre o que tinha acabado de escrever.
Eu estava assumindo um comportamento esperado da minha geração, simplesmente porque eu sei o que é a Geração Y, o que fazemos, o que gostamos ou não, qual o nosso posicionamento profissional, aspirações, comportamentos… enfim, nossas características. A minha geração chegou ao mercado de trabalho com manual de como ser um “bom geração y” e eu me perguntei se isso ocorreu com as gerações anteriores.
Nos meus devaneios sobre o “ípsilonmente” cheguei à conclusão de que o que eu fiz foi praticamente como uma criança que diz para a mãe: “Eu fiz xixi na cama, mãe, mas você sabe, eu sou criança…” e pude olhar com bastante estranhamento esse fenômeno, que veio de mim mesma.
Para os Baby Boomers e X’s deve ser muito esquisito olhar uma geração mais jovem e perceber que não apenas vivenciamos a condição de Y, mas conseguimos nos enxergar do lado de fora, com olhar crítico e debatendo o que devemos ou não fazer.
Em alguns momentos devem até mesmo achar patético as “crianças” brincando de adultos, até por entrarmos cada vez mais cedo no mercado de trabalho e em posições de grande responsabilidade.
Espero que meus companheiros Y não interpretem mal o que escrevi no parágrafo anterior, mas tentem sair da “Matrix” e enxergar as relações de um ponto neutro. Ou pelo menos comparem com aquelas situações em que nossa irmã mais nova está desesperada no MSN porque a amiga a bloqueou, achando que aquilo é o maior dos problemas a ser resolvido. Assim como nós nesses momentos, eles devem pensar: “Não sabe de nada e acha que isso é coisa séria.”
Enfim, no final desse turbilhão de ideias fiquei curiosa para saber como foi quando as gerações anteriores começaram a “mostrar a cara” e entrar no mercado de trabalho. Se sabiam como eram vistos, rotulados e como deveriam agir ou se as coisas fluíam naturalmente.






Fantástica pergunta, Lili.
Como Baby Boomer, tenho a te dizer que na minha época, não havia muito espaço com meus pais para não fazer o que eles mandavam. quando meu pai dizia: “volte às 22hs pra casa”, não havia quase nenhuma negociação. Talvez nosso manual tenha sido: “obedeça seus pais” e seus professores”. Claro que a gente os enganava, “cabulava aula”, termo que nem existe mais. Como não havia muito espaço para conversas francas, a solução era criar uma ou outra mentira. Mas acho que isso não mudou nas gerações. Havia a tribo da rebeldia, que fez o movimento hippie, havia o grupo que lutava contra a ditadura, questionando o sistema. Mas o respeito à autoridade era muito mais natural. Na maiorida das famílias, “papai sabia tudo”. Em algum lugar do caminho, isso se perdeu.
Beijo!
Olá Lili!
Não pude deixar de abrir um sorriso quando lí o título do seu post! Logo me lembrei daqueles livros sobre “como educar seu filho” que haviam na estante de casa. Acho que a gente NASCEU com manual de instrução! Acredito que boa parte dessa abertura maior de que a Eline fala é resultado da influência de psicólogos nos anos 80 e 90. Uma coisa eu tenho certeza: meus avós não liam livros do gênero.
Abraços