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Por Eline Kullock

Acabo de ver um filme muito interessante no cinema: Amor Sem Escalas.

Em Inglês, o título “Up in the Air” faz muito mais sentido, já que é uma expressão sobre “coisas não claramente definidas”, ao mesmo tempo em que fala sobre as viagens de avião.

É a história de um homem (George Clooney) que viaja pelo mundo ajudando empresas a demitir pessoas. A organização onde ele trabalha atua somente nisso: ajuda a fazer corte de pessoal.

Clooney passa a vida em aeroportos, hotéis, espaços definidos como “Non-Places” na teoria do etnólogo Marc Augé, ou seja, lugares onde não há interação entre as pessoas, apenas perguntas e respostas pontuais. Assim como os non-places, Clooney transformou seu trabalho, embora difícil, numa missão estruturada e comum, e é ainda um palestrante requisitado para ensinar as pessoas a não “carregarem pesos nas costas” ou “a viverem mais livremente”.

É quando entra em cena uma nova funcionária geração Y na empresa onde Clooney trabalha. Ela vai revisar a metodologia de trabalho, reduzindo custos – como em todas as empresas – definindo um novo processo no qual a demissão é feita por “video conference”.

E aí a trama está formada, já que Clooney prefere viajar pelo mundo do non-places, abdicando de uma vida em que estabelece relações. Ao mesmo tempo, a jovem da Geração Y, acostumada às conexões virtuais, acha que todos estão habituados a esse modelo mental, mas não pode medir as conseqüências que essa nova metodologia trará às pessoas demitidas.

O que me impressiona no filme é que ele pode ser considerado uma comédia leve, mas que nos faz refletir profundamente sobre as nossas relações. Para mim, é impressionante verificar como há inúmeras pessoas da minha própria Geração (chamados pela atriz Anna Kendrick de “velhos”) com grande dificuldade em estabelecer uma vida com vínculos profundos.

Me impressiona a clara noção de que os líderes não estão preparados para lidar com demissões.

Os Baby Boomers falam muito sobre a dificuldade dos jovens em estabelecer vínculos, funcionando grande parte do tempo pela Internet. Ao mesmo tempo, se concentram muito no que Marc Augé definiu como não-lugares, onde não se estabelecem relações profundas. Lugares de passagem: hotéis, aeroportos, shoppings, embora estejam sempre repletos de pessoas.

O filme aborda também uma questão muito importante no momento atual, de crise, em que várias pessoas são demitidas e não sabem o que fazer de suas vidas, já que muitas delas se resumem a trabalho.

A história é mais do que atual, falando sobre família e relações, usando o contexto de trabalho nas complexas vidas virtuais e reais num mundo em crise, em meio ao receio de perdermos tudo o que nos cerca.

Para que isso não aconteça, a solução será “viajar leve”, sem compromissos? Ou será conviver com as dificuldades das perdas, de relações que se acabam, de enfrentar o mundo de hoje como ele é?

Perguntem aos jovens da Geração Y, mas perguntem também aos Baby Boomers. Todos estão com os mesmos dilemas.

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2 Responses to “Você quer viajar leve pela vida?”

  1. Ótima sugestão.
    Encontrei o Trailer e gostei.
    Agendado para o final de semana:
    http://www.youtube.com/watch?v=x4eOYwkfwFU

  2. Fabio disse:

    Muito interessante, o texto e o contexto do filme. Irei assitir em breve.

    Abs,

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