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Por Eline Kullock

No decorrer da vida, nós, da minha geração, aprendemos a ler todos os sinais da comunicação corporal.

Quando alguém cruza os braços, está resistente, quando olha pra esquerda, quando olha pra direita, tudo tem um significado. Nem sei dizer como aprendemos isso, mas no simples convívio com as pessoas sempre foi possível detectar e entender os mais diversos sentimentos ou expressões.

Me pergunto como será essa leitura corporal numa geração que se comunica pelo computador.

Essa tropa Y não tem mesmo essa “leitura do corpo”. Não aprenderam com ela. Não viveram essa experiência pra sentir na pele. Mesmo quando mamãe dava bronca, era falando no telefone ao mesmo tempo em que lixava as unhas. Pra falar com papai, só com o jornal na frente. Isso, quando ele chegava do trabalho antes das 23h, quando a Geração Y tá fofocando pelo MSN…

Na minha época, quando minha mãe me dava aquele olhar 48, eu sabia que ela tava muito zangada (pra não soltar o meu claro Francês) e sabia que tinha que mudar alguma coisa.

Hoje, quando lanço o olhar 48 pro meu filho, ele responde: Aê, manhê, qualééééééé?’Fala logo, pô.

Ele não saca nada do olhar 48.

Aí esse jovem entra na empresa e chega atrasado. O chefe lhe dá um olhar 57 e ele não entende. O chefe fica batendo o pezinho com os braços cruzados na frente dele, que tá numa vibe com o Ipod no ouvido, cantarolando uma música e não entende o que ele quer.

O que acontece? O chefe acha que ele está enfrentando a autoridade! E tá enfrentando também, mas nesse caso ele não entendeu nada. Ele nem sabe por que o chefe tá pau da vida!

Vamos entender que estamos trabalhando com outra tribo. Cada tribo tem seus códigos próprios. Essa turma passou a vida no computador e seus códigos são outros!

E então, como fazer?

Sentar e conversar, explicando com palavras o que é que incomoda.

Como um professor no primeiro dia de aula explica pros alunos que quem chegar 15 minutos atrasado não entra na aula. Quem faltar a oito aulas faz uma prova extra. Aí sim o jovem da Geração Y entende.

Se você estiver irritado porque seu jovem talento chega todo dia 15 minutos atrasado, sente com ele e fale! Eu aposto que ele vai dizer: “ah, é isso? Então tá,vou procurar estar no horário, se isso te incomoda tanto!

O importante, novamente, é pensar nas tribos. Mesmo que eles se pareçam com a gente (de vez em quando), mesmo que se vistam de forma parecida (temos cada vez menos opções), eles pensam diferente e não entendem coisas que nos parecem óbvias.

Se o mais difícil nas organizações é a comunicação, faça um bom exercício falando sobre esse assunto com seu trainee.

Você vai ver que coisas que pareciam muito difíceis podem se tornar fáceis de resolver.

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