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Por Felipe Calegario

Uma das tendências do mundo globalizado, e que não é exceção no Brasil, é o desapego das tarefas manuais, gradativamente substituídas por processos automatizados. Não é novidade pra ninguém: o tempo tornou-se escasso. Então, o que era feito de modo quase que artesanal, acaba sendo acelerado ao máximo.

Nossos hábitos, mesmo os mais simples, refletem esse conceito. Vivemos do pré-cozido, do pré-montado, do produto final. Para uma parcela considerável da população, já virou luxo sentar-se à mesa e almoçar tranquilamente ou fazer a própria comida, por exemplo. Você já pensou nisso? O homem pós-moderno não faz a própria comida.

Nossa forma de se relacionar também muda. Não dá tempo de conversar pessoalmente, então temos as redes sociais e os comunicadores instantâneos – onde se fica invisível quando é cômodo. E com isso diminui-se o contato visual, as expressões, o toque, a voz e tudo o que não pode ser substituído por um conjunto de códigos.

Contudo, é a relação do indivíduo com o trabalho o que talvez representa melhor esse cenário. O perfil do profissional de hoje mudou essencialmente. A passos largos, aquele que antes se ocupava em apenas uma etapa da produção precisa hoje conhecer todo o processo. Ser dinâmico e versátil, ter visão holística.

Com o tempo, o leiteiro, a costureira, o padeiro e o sapateiro vão cedendo lugar ao webdesigner, ao operador de telemarketing, ao técnico de petróleo e gás, acabando por se tornarem um tipo de profissional em extinção. Ou você já ouviu, na geração atual, alguém dizer que tem vocação pra sapateiro? Até porque se a roupa rasgou ou o sapato quebrou a gente compra um novo.

Vai fazer falta o profissional que carregava em si uma alta carga moral: do trabalho que torna o homem digno, que trabalhava por vocação, ainda que vocação pra sapateiro.

Vai fazer falta a geração que almoçava em família, que cultivava plantas e conhecia pássaros, que sabia que um rato era só um rato, que pegava a fruta do pé, que costurava para os filhos e que passava mais tempo com eles, que ainda tinha heróis e referências.

Mas apesar do homem pós-moderno não saber sequer diferenciar uma banana prata de uma banana-d’água, cabe a ele, digo, a nós, os desafios da herança consumista: tornar real a sustentabilidade, mudar o modelo de consumo e dizer pra onde vai o lixo do planeta.

Para tanto, não basta apenas ter tecnologia. Precisamos resgatar dos nossos avós a paixão, o caráter e a vocação pelo que se faz.

*Felipe Calegario é estudante de administração e professor de informática.Post originalmente publicado em http://ichtusgate.wordpress.com/2010/02/23/o-que-vai-faltar-a-geracao-y/

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One Response to “O que vai faltar à Geração Y”

  1. Walter Junior disse:

    Estou realizando uma pesquisa sobre as gerações x,y,tradicionais, baby boomers, e estou tendo dificuldade para encontrar livros que abordam este assunto; Alguém pode me ajudar? ?ndicar algum livro?

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