
Por Renato Andrade
Esta semana recebi a visita da minha vovozinha, que errou o dia do meu aniversário e chegou com quatro dias de antecedência e um bolo nas mãos. Assunto resolvido, ela decidiu ficar até o dia certo. Convidamos minha sobrinha de 6 anos e partimos o delicioso bolo de nozes.
O choque de gerações estava armado!
A mais nova fazia questão de levar para a mesa o Beto (um boneco), o que deixou minha avó aflita. Ela comentou que cada coisa tinha sua vez: hora de comer e hora de brincar. A guria venceu, ameaçou descer da mesa e comer na sala assistindo TV. #Rebelde.
O assunto correu pelos mais diversos temas, cada um mostrando o ponto de vista peculiar à sua geração, até que chegou em doenças e remédios, quando resolvi que era hora de voltar ao trabalho. Ouvi da avó:
- Você vai trabalhar agora? Entrar no trabalho este horário? Volta só de madrugada?
Expliquei que trabalho via web, home office, e ela perguntou se eu recebia um salário só para ficar em chats (senhorinhas que não possuem contato com jovens acreditam que internet é chat… e só!).
Tentei explicar sobre as redes sociais e ela disse que leu sobre os perigos de colocar informações pessoais via web, acho que não entendeu muito sua verdadeira aplicação.
Ao detalhar meu trabalho, ouvi a intervenção da sobrinha, informando que passava horas com a minha mãe na internet visitando sites.
Mas como este acesso acontece?
Aos 6 anos uma criança não sabe digitar palavras, está em fase de alfabetização. Minha mãe está em fase de alfabetização informática, não entende sites em flash, fica perdida com a rapidez do mouse e não percebe a diferença entre Firefox e Internet Explorer, por exemplo.
Uma criança domina perfeitamente um site em flash. Domina até mesmo um jogo em que a boneca virtual pode trocar de roupa e colocar acessórios em poucos cliques, do mesmo jeito que minha mãe fazia em sua época, mas com bonecas de papel e a mão!
As duas fizeram um acordo amigável e uma ajuda a outra na busca de produtos, analisam os melhores preços, descobrem os lançamentos de outros países, brincam e assistem desfile de moda via Youtube.
Fico imaginando como seria ótimo se empresários baby boomers tivessem uma relação parecida com a Geração Y, sem medo de pedir informações tecnológicas ou auxiliar os novatos no “Bê-a-Bá” das corporações.
Foi decidido que a união faz a força e que o trabalho em equipe é muito importante para a troca de informações. Pelo menos no ambiente familiar não foi detectado nenhum espírito competitivo. E da parte da minha avó, também nenhum conflito, apenas uma curiosidade em entender tantas mudanças. Exemplo perfeito a ser seguido na mesa do trabalho.





Não adianta Renato. Onde quer que você escreva, seus textos serão SEMPRE fantásticos.
Engraçada e interessante a interação entre 4 gerações, não é mesmo? Você, sua sobrinha, sua mãe e sua avó. Todos tão diferentes, quanto choque “cultural”.
Abraços
E obrigado por compartilhar mais uma das suas histórias conosco