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Por Manuela Mesquita

Feedback. Palavrinha que tem tirado o sono de muitos gestores que convivem com os Y’s nas empresas todo dia e cada vez mais.

Vejo muitos quebrando a cabeça, tentando entender o porquê e de que forma deve ser dado esse feedback, de maneira a atender as expectativas dos jovens e deixar-nos menos ansiosos.

Mas o bem da verdade é que nem nós mesmos sabemos a verdadeira resposta. Sabemos sim que não queremos esse feedback daqui a seis meses, nem daqui a três, queremos semanalmente ou diariamente, conforme houver necessidade. E essa necessidade aumenta proporcionalmente ao volume de trabalho e grau de importância que adquirimos.

Acho que o jovem de hoje não consegue entender por que é preciso esperar para o superior dizer algo que incomoda ou foge “das regras da empresa”, seja no nosso trabalho ou no comportamento, e fazer isso de maneira formal, quando nem lembramos mais o que aconteceu ou qual foi o caso ou atitude específica.

E por que precisamos muito desse feedback, talvez mais do que as outras gerações? Porque nos deram em casa uma liberdade, um encorajamento para fazer, criar, acontecer e nós seguimos, estamos fazendo e ousando. Mas também temos inseguranças. Somos inseguros para saber se estamos no caminho certo, se estamos satisfazendo e cumprindo (ou ultrapassando) as metas e as expectativas que nos foram projetadas.

Não queremos, após seis meses de trabalho, receber uma avaliação ruim e que nos frustre. Mas também não queremos esperar todo esse tempo para sermos reconhecidos por algo feito com excelência. Simples, não?

Fico imaginado o quanto devia ser frustrante para as pessoas das outras gerações, após um tempão de trabalho, serem comunicadas de que não estão sendo bem avaliadas, ou que o comportamento não está no ponto desejado pela companhia.

Não conseguimos entender a necessidade do suspense, da surpresinha com data e hora marcadas ao final de um período. Talvez porque as coisas demoravam mais tempo para acontecer, não se tinha tanta informação em tão pouco tempo e até o número de tarefas executadas era menor, essa necessidade também não fosse tão evidente.

É a tal história, a noção de tempo é outra, não há como comparar. E por esse mesmo motivo não há como esperar para saber como tem sido nosso desempenho. Pois claro, se ele não estiver satisfatório, vamos tentar mudar, porque o que queremos é reconhecimento e ter a certeza de que nosso trabalho vale a pena para a empresa!

E vocês, os gestores, estão preocupados com essa nossa noção de tempo acelerada? Pois então, nós também estamos assustados com a rapidez com que o mercado de trabalho exige nosso crescimento. E o que é esse mercado que vocês mesmos deixaram para nós, senão algo competitivo, maluco, acelerado e que exige de nós o máximo de pressa possível?

Também estamos correndo atrás do tempo, mas essa corrida, em nossa visão, precisa ser para a direção correta e, se possível, com todas as honras e glórias que pudermos ter. Afinal, é isso que nos motiva e que nos faz querer crescer, termos claro de que na linha de chegada terá o que desejamos. E essa direção, são vocês, os mais experientes, que poderão nos dar. Cada dia é uma etapa nessa corrida. Entendem por que precisamos hoje desse feedback?

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