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Por Clara Zaiantchik

Atravessamos uma época na qual a distância entre a teoria e a prática se torna cada vez mais evidente em nossas ações. É espantoso para mim, baby boomer nata, assumir isso como uma verdade, porque nos meus tempos de juventude só o que valiam eram as promessas feitas no “fio do bigode”. Meu pai me ensinou isso desde pequena e eu não sabia que existia algo diferente até começar a compreender um pouco melhor a sociedade.

Um grande exemplo dessas incoerências e quebra de valores está todos os dias em nossa frente, na telinha da TV. Não falo nem sobre a qualidade dos programas, que na verdade, apenas reforçam a educação vazia que, demasiadas vezes, a família e a escola têm oferecido às novas gerações. E já aviso, desde o início, que não estou sendo radical, tão somente realista. Quando os pais ou professores têm preguiça de educar, apelam para a televisão, fazendo com que a criança entre num ciclo vicioso de empobrecimento sócio-cultural.

O que quero discutir aqui é a postura das mídias televisivas diante de algo explicitamente mal-gerenciado: a pornografia. Novamente falando como uma baby boomer, não posso impedir que meus filhos ou futuros netos tenham acesso a temas relacionados à sexualidade muito mais cedo do que eu tive. Os tempos são outros e a espera é algo muito angustiante para as novas gerações. Porém, o que me causa certo incômodo é a contradição existente nesse sistema, que se torna capaz de banir uma propaganda de cerveja considerada “imprópria” devido à exibição sensual, como a que trazia Paris Hilton como protagonista, por exemplo.

Essa iniciativa poderia ser encarada como extremamente altruísta se estivéssemos falando do intervalo de um desenho animado. Mas o que dizer sobre o fato de que tais propagandas foram exibidas em horário nobre, durante a novela que, por sua vez, não evita por um momento sequer cenas voltadas à sexualidade?

Há irregularidades nesse percurso ou, melhor dizendo, uma pedra no meio do caminho. E digo mais: uma pedra que, a meu ver, nem as próximas gerações serão capazes de retirar com facilidade, pois cada vez mais estão inseridas em um contexto contraditório, com mudanças de valores e opiniões. E o problema será ainda maior se essas gerações não perceberem que estão sendo traídas pelos fios de seus próprios bigodes.

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5 Responses to “Será que a geração Y enxerga a incoerência entre o discurso e a prática?”

  1. ester disse:

    so poderia partir de uma cabeça como da clara um comentario e opiniao tao precisos e oportunos
    objetivos e coerentes
    ester

  2. annita stern disse:

    CLARA, PARABENS P/ TUA COLUNA , ESTA É A CLARA QUE CONHEÇO, BJS ANNITA

  3. Nelson disse:

    Preciso e direto.

  4. MARCIO disse:

    Estou entrando pela primeira vez e já me prendi na leitura.
    Ja havia lido sobre esse tema em outros lugares mas nunca por esse ponto de vista, muito bem citado o assunto. Parabéns

  5. Clara disse:

    Obrigada a todos pela presença e pelo carinho!
    Um beijo!

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