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Por Julianna Antunes

Há alguns meses, no longínquo ano de 2009 (ok, vocês já estão carecas de saber o conceito de tempo para um genY), escrevi aqui sobre a relação da nossa geração com a sustentabilidade. Falei de números, pesquisas, porcentagens e mais um monte de coisas interessantes. Se pensarmos mais a fundo, foram informações super válidas, mas que ficam concentradas em um plano conceitual.

Hoje, no Dia Mundial da Água, tentarei extrair de mim e de vocês algo mais prático. Mas, por ora, vamos a mais números, pesquisas, porcentagens e informações interessantes. Segundo a Declaração Universal dos Direitos Humanos, todos os habitantes do planeta têm direito a uma vida digna e saudável, o que inclui o acesso à água potável. Bonito, não?

Mas vocês sabiam que mesmo 70% planeta sendo coberto por água, só 2,5% é água doce, e que apenas 0,03% dela está em regiões de fácil acesso, como rios e lagos? Sabiam que, de acordo com o PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), onze países da África e nove do Oriente Médio já não possuem água potável? Sendo que o sinal vermelho já acendeu para Hungria, Índia, China, Tailândia, México e Estados Unidos?

Pensando na água além do banho diário e da nossa sede, quais são as reais implicações desse problema no dia-a-dia da população? Ainda de acordo com o PNUD, milhões de pessoas todos os anos contraem doenças contagiosas por se banharem em água contaminada ou pela ingestão de água de má qualidade.

Ok, sabemos que esses problemas estão bem longe da gente, que a maioria dessas mortes ou contaminações é de pessoas residentes na África e na Ásia. Mas voltem um pouco a leitura, quando digo que México e Estados Unidos já acenderam o sinal de alerta. O problema está realmente longe? E se lembrarmos de que nós, brasileiros, temos o péssimo hábito de desperdiçar recursos naturais como se não houvesse amanhã?

E por falar em desperdício, sabiam que cerca de 500 milhões de km³ de água são desperdiçadas no mundo todos os anos? É claro que boa parte deste número está na conta das indústrias e das atividades agrícolas. Mas vamos trazer isso para o nosso mundo: sabe quando nossa avó, nossa tia, nossa mãe ou nossa vizinha lava o quintal ou a calçada? Por que não falamos para elas usarem a água descartada da máquina de lavar?

A maioria do brasileiro, por morar, talvez, num país abençoado por Deus e bonito por natureza, ainda não é capaz de perceber a real gravidade dos problemas causados pela escassez de água. Acho que ainda é cedo para falar, mas assim como o petróleo hoje é fator bélico, uma guerra pela água pode acontecer daqui a algum tempo. Nossos avós ignoraram o fato, nossos pais não se preocuparam em nos passar conceitos de consumo consciente, mas a responsabilidade agora é nossa.

É esse o legado que você quer entregar para as futuras gerações? Eu não. Pois, como legítima representante da geração Y, afirmo que me preocupo sim com o dia de amanhã, com o nosso planeta e com o que deixaremos de bom para os nossos filhos.

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