
Por Tatiana Kielberman
Outro dia, li uma reportagem na revista Época Negócios que me chamou a atenção, informando que, por conta da crise, os japoneses estão reduzindo o casamento a um álbum de fotos. Eu poderia dizer que essa é uma tendência da nossa geração, que busca rapidez em tudo aquilo que faz, instaurando uma superficialidade que já se tornou comum aos nossos olhos. Poderia generalizar o fenômeno, afirmando que os jovens não dão mais valor aos ritos de passagem e desejam receber tudo pronto, instantâneo, sem emoção.
Porém, não é isso o que penso e, muito menos, o que tenho observado. É claro que, comparando os brasileiros aos japoneses, estes são muito mais contidos e têm uma preocupação com o dinheiro talvez maior do que a nossa. Ainda assim, posso dizer que, nos últimos dez anos, nunca houve tantos casamentos entre jovens, com direito a todos os detalhes relativos a esse evento.
Certamente, alguns Ys preferem apenas mudar-se para a casa do parceiro, concretizando uma união, ou mesmo fugir para uma grande viagem de comemoração. Há diversos tipos de rituais que essa geração valoriza para confirmar a celebração de um casamento, mas cerimônia e festa continuam sendo atributos importantes a esse marco na vida do casal.
Flores, decoração, brinquedos que piscam, boa comida, chinelos Havaianas enfeitados, família, amigos, presentes… isso faz parte do sonho da geração Y – sonho este que foi transmitido pelos pais ao contarem a história de seu próprio casamento.
Ornamentos e brincadeiras à parte, o fato é que nós, jovens, não abandonamos o ideal de buscar a afiliação a alguém. Necessitamos, ao longo de nossas vidas, de sentimentos tão básicos como amor, gratidão, cumplicidade e afeto. Podemos nos mostrar fortes, ousados e vitoriosos, mas desejamos, sim, chegar em casa e ter com quem compartilhar aquilo que fica trancado a sete chaves ao longo do dia. É mais do que uma aspiração – é um desejo íntimo de ter com quem contar!
Portanto, queridos japoneses, devo afirmar que vocês são bacanas em muita coisa, mas por favor, não mexam no meu vestido de noiva!





Taty, vc me surprende cada vez mais. Bjo gde.
Engraçado que, quando eu era pequeno, achava que minha geração, a Y, não ia ligar pra casamento. Que isso era coisa de velho, e as tradições iam ficar no passado. Mas, não. Quantos e quantas pessoas da minha geração querem ou já estão casadas.
Eu fiz uma reportagem para a revista Em Branco sobre o tema ”Casar, pra quê?”. Posso te enviar o texto. Busquei histórias de pessoas casadas, recém-casadas, divorciadas..etc.
abs
Muito bom, Taty!! Seu sentimento é o que mais espero da geração Y e das próximas gerações. Casar é bom, mas o principal, o mais difícil, é permanecer casado. Isso sim é o grande desafio… rsrsrs. Esse é o exemplo que algumas gerações anteriores não está deixando à sua decendência.
Grande abraço!
Adriano Berger