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Por Tatiana Kielberman e Manuela Mesquita

Para o pesquisador holandês, Aart Bontekoning, se não entendermos as diferenças geracionais, dificilmente atualizaremos nossa cultura de forma a evoluir.

O especialista acredita que, mais do que enxergar os gaps entre gerações, devemos ser fiéis às características que as determinam, o que só trará ganhos, para as pessoas e para as companhias.

Confira a segunda parte da entrevista concedida por Aart exclusivamente ao Foco em Gerações:

Costumamos acreditar que toda geração é influenciada por algum acontecimento mundial, algum fato histórico que a diferencia das outras. Qual você acredita que será o marco para a nova geração?
Eu não acho que está errado classificarem as gerações por estes acontecimentos, eles de fato influenciam. No entanto, acredito que quando algo é considerado ultrapassado, novos hábitos começam a ser introduzidos e isso sim define uma nova geração. Acho que a próxima geração, por exemplo, irá resolver problemas quanto às diferenças entre as pessoas. Eles estão tão conscientes sobre o que é importante para eles e para os outros que se conectam com pessoas diferentes de forma mais harmoniosa.

Houve alguma curiosidade sobre o assunto Gerações aqui no Brasil que tenha o surpreendido?
Fiquei surpreso com o fato de importarem muitas informações e referências sobre gerações dos Estados Unidos, pois acredito que há uma enorme diferença entre os dois países.

Outra coisa é que eu nunca havia estado na América do Sul, mas me senti em casa em dois ou três dias, o que também me encantou.

Em outros países os executivos e estudantes estão por dentro das diferenças entre gerações?
Esse assunto começou nos EUA, na Holanda, Bélgica, até se espalhar pela Europa, Brasil e algumas partes da Ásia. Por alguma razão, este tópico tem aparecido sim em muitos locais.

A geração Y está cada vez mais optando por trabalhar como freelancer, em casa, o que você acha sobre este fato?
A geração Y não quer um ambiente de trabalho formal, eles querem ser flexíveis, querem trabalhar em casa. Eu acho que estão certos, é uma loucura os profissionais terem de ir ao escritório todos os dias às 9h e sair às 17h, isso deixa as empresas e os profissionais burocráticos. Ser mais flexível estimula que se tenha uma mente mais flexível, estimula a criatividade. Eu acho que essa geração tem uma boa visão de trabalho.

Mas você acha que o fato de trabalharem em casa estimula que desenvolvam as atividades individualmente?
Eles não trabalham individualmente, eles se conectam. O que vejo em Amsterdam é que essa geração trabalha em casa até umas 10h, depois vão a um coffee bar, onde conversam com outros jovens, trabalham com outras pessoas, estabelecem relacionamentos. Muitos começaram a optar também lugares onde possam alugar mesas e trabalhar com pessoas de outras áreas.

A geração Y está mais engajada em assuntos sociais e governamentais?
Eles querem cuidar do mundo, mas não acreditam na política, acreditam no trabalho coletivo, em pequenos projetos, em fazer coisas com os vizinhos. Acho que eles se preocupam com questões sociais, mas não acreditam nos antigos métodos governamentais, nos antigos projetos. Eles acham os próprios meios de fazer algo pelo mundo.

Sobre o meio ambiente, acredita que eles podem ter maior mobilização, fazer mudanças mais significativas?
Se eles querem se mobilizar, fazem isso em uma hora. Mobilizam-se de forma nunca antes vista.

E quanto ao voluntariado, acredita que as gerações estão preocupadas com isso? Em que proporção?
Acredito que a concepção de voluntariado está mudando para a nova geração. Os jovens da geração Y realizam um novo voluntariado, se sentem que tem alguma coisa tocando seus corações e não há dinheiro para fazer, fazem sem dinheiro mesmo. Esse não é o item mais importante, eles querem ter dinheiro, querem viver bem, mas apenas com o suficiente para isso. O que vi na Holanda é que fazem muitos trabalhos voluntários que não são nem reconhecidos. Eles não estão procurando o voluntariado como um trabalho, mas como algo a ser feito no final de semana.

Acredita que as diferenças entre gerações têm causado mudanças na forma com que as companhias têm feito a gestão de pessoas?
Sim, e é claro que a maior diferença está entre as gerações mais velha e a mais nova, que está fazendo profundas transformações, introduzindo diferentes sistemas.

Qual o seu objetivo com a pesquisa?
Meu objetivo é dar suporte às gerações para que impulsionem as companhias sendo elas mesmas, mantendo suas características de origem, isso é bom para as pessoas e para as empresas. Quero que todos entendam essa questão, isso só fará bem.

Como pretende utilizar os resultados de forma prática?
Eu faço projetos em companhias, com as diferentes gerações, para que possamos ver e sentir os gaps, tentando assim resolver os problemas existentes.

Você tem medo de que esse assunto seja apenas uma coisa passageira?
Não. Acho que isso está crescendo e se tornando importante, pois está no dia a dia de todos, como algo fundamental para determinar culturas e o próprio futuro. Todos estão percebendo que precisamos atualizar nossas culturas constantemente.

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3 Responses to ““Entender as diferenças entre gerações é fundamental para impulsionar uma evolução social” – Parte II”

  1. Mais uma vez, excelente visão e percepção das gerações. Várias partes da entrevista me trouxeram à mente a história retratada no “Livro da Selva”. No desenho animado “Mogli”, de Walt Disney, o autor retratou um personagem com diversos traços de uma membro da geração Y: o urso Balú. E esse filme foi produzido em 1967!!

    Não vou comentar sobre Balú… vejam e divirtam-se com as análises, rsrsrs.

    Forte abraço!
    Adriano Berger

  2. Alexandre Madu disse:

    Adorei os artigos (Parte I e II). O cara realmente é genial.
    Acredito na afirmação de que precisamos atualizar nossas culturas constantemente. Saber lidar com as gerações é promover uma melhor interface entre as empresas e as pessoas. Como futuro gestor (se Deus quiser) passo a compreender a necessidade de adaptar a “política’ da empresa ao modo de trabalho de sua geração, como é o exemplo do colaborativismo que se dá na Gen Y. Entender como as próximas gerações “funcionarão” facilitará muito a vida dos futuros gestores.

    O artigo só me confundiu um pouco o entendimento de “babyboomers” e “gen x”, parece que mistura os dois em algumas partes.

  3. Cristiano disse:

    Muito boa a abordagem deste tema, pois cada vez mais as gerações entram em conflito, talvez por terem ideais diferentes das gerações mais atuais, e vice versa. Mais importante que entendermos as diferenças entre as gerações, é o respeito mutuo entre as mesmas.

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