
Por Sarah Newton*
Tenho notado uma tendência bem preocupante entre os jovens funcionários para os quais ofereço o processo de coaching: a falta de resiliência. A falta de tato deles em lidar com o estresse que pode ocorrer em um ambiente de trabalho caótico, sua inabilidade para escutar comentários negativos de clientes e colegas, além do tempo que se leva até que eles se recuperem e recomponham seu espírito, sua força e seu bom humor.
Concluí, então, que isso deveria ser mais do que uma pura coincidência, então comecei a investigar (nunca consigo realmente abdicar desses hábitos de oficial de polícia). Aqueles que me conhecem sabem que as perguntas que faço a mim mesma são sempre diferentes, e a questão sobre a qual me debrucei dessa vez foi: como sociedade, por que estamos formando jovens com pouca resiliência? Minha investigação me levou a entrevistar a incrível autora do livro Toxic Childhood (Infância Tóxica), Sue Palmer.
O que ela discutiu comigo fez realmente sentido… ela notou que as crianças que foram criadas com menos liberdade, que não tiveram muito contato ao vivo com as pessoas e nunca foram autorizadas a cometer erros, acabaram se tornando muito menos resilientes e capazes de tomar decisões. Pelo fato de cada vez mais as crianças se comunicarem apenas por MSN e serem resgatadas por seus pais ao invés de enfrentarem as situações sozinhas, os gestores estão sofrendo. Alguns dos jovens que estão entrando no mercado de trabalho apresentam lacunas em habilidades essenciais que deveriam ter sido ensinadas por seus pais. Dessa forma, os gestores se vêem exercendo muito mais o papel de pais, que se frustram demasiadamente ao observarem comportamentos infantis.
Então, o que fazer quando os funcionários jovens são presença maciça em sua empresa?
1. Mantenha as regras e diretrizes claras, acompanhando-os de forma consistente. Sim, os Ys desejam envolvimento e querem ser vistos como iguais, mas se você gerencia jovens, acredite, precisa ser claro e consistente em suas ações.
2. Corte qualquer argumento pela raiz o mais rápido que puder; não pense que seus funcionários podem fazer tudo por si mesmos. Utilize estratégias de resolução de conflitos que permitam o diálogo e uma solução vantajosa para ambas as partes. Se você puder escalar um membro mais sênior do seu staff para ficar responsável por isso, será ainda melhor. Você estará transmitindo importantes habilidades aos seus funcionários.
3. Ofereça feedback positivo sobre quem eles são. Isso não significa deixá-los em evidência, e sim em perceber as habilidades primeiro do que as ações. Ao invés de elogiá-los quando estiverem respondendo bem à reclamação de um cliente, procure mostrar paciência e compaixão quando você mesmo estiver lidando com o cliente.
4. Deixe algumas tarefas nas mãos desses jovens. Quando eles questionarem, pergunte o que eles pensam, qual seria a melhor solução. Isso trará a sensação de liberdade e será o impulso necessário para que eles desenvolvam o processo de tomada de decisões.
5. Entenda as derrotas como algo bom. Quando eles falham, e eles irão falhar em determinado ponto, não puna, mas pergunte o que eles aprenderam com a situação e o que fariam diferente em uma próxima vez. Essa pode ser a primeira vez que eles tiveram alguém que os apoiasse dessa forma, então seja gentil e os auxilie a lidar com isso.
E se você é um daqueles gestores que acredita que, somente porque os jovens fazem parte de um staff sazonal ou temporário, então não deve se importar, fique atento! Deixar de depositar um esforço neles é tão insensato quanto fazer isso com qualquer outro funcionário, pois trabalhando 6 ou 60 horas, eles são importantes para o seu negócio! Todos eles têm impacto em seus clientes e futuros funcionários. Pense na sociedade como um todo e no bem que você terá feito ao transformar um jovem em uma pessoa adulta.
Plínio, o Velho dizia: o que nós fazemos com os nossos filhos, eles fazem com a sociedade. Eu digo, o modo como você age com seus jovens funcionários será o modo como eles agirão com a sua empresa. Então, se você deseja respeito, esteja preparado para oferecê-lo aos outros em primeira instância.




