
Por Eline Kullock
Conversando dia desses com um amigo, o Vini, ele me fez a seguinte observação:
“O celular hoje é mais importante do que a identidade.
Se você sai de casa sem sua identidade, muitas vezes não volta para buscá-la. Mas se percebe que está sem o celular, certamente, voltará”.
Nunca tinha pensando nisso, mas é verdade. O celular é hoje muito mais do que a identidade.
E de pensar que vivíamos sem ele até pouco tempo atrás. Há vinte anos ninguém o possuía e também não morria por isso, nem ao menos se dava conta de sua necessidade.
Hoje, sem o aparelho, as pessoas perdem o contato com o mundo. Mesmo que vá encontrar amigos, preze pelos contatos visuais, parece que fecha uma janela de comunicação entre você e o resto das pessoas se não está acessível pelo telefone.
O celular é sua identidade e você não é ninguém sem ele!
Vejo que a noção do “rápido” mudou muito ao longo dos anos. Se não responder a uma ligação em meia hora, é um #loser.
Se não atende na hora, é #fail. Pelo menos passe um sms dizendo que não pode falar por estar no meio da sessão de cinema! Caso contrário você é #TI.
Ninguém mais desliga celular, no máximo, coloca no silencioso para casos de urgência! Que dificuldade é essa com a nossa identidade? Não sou mais eu mesma, sou o que a foto diz de mim. É a percepção do outro que conta. Você não é mais você se não estiver inserido num sistema maior.
As pessoas são avaliadas por critérios muito diferentes e essa ansiedade da coisa instantânea faz sentido pra uma geração, mas talvez não faça sentido pra outra. Porque no meu modelo mental, o celular é importante, mas nem tanto, a ponto de perder o rumo se estiver sem ele!
Mas meu modelo mental pode ser diferente do seu.
Minha mãe, por exemplo, aos 85 anos, carrega o celular (quando carrega) desligado. Ela liga quando quer ou em caso de emergência.
Mas hoje, para a maioria, qualquer coisa é uma emergência.
A amiga precisa falar com você agora, o chefe precisa resolver aquele problema instantaneamente, o namorado vai te punir se não tiver seu retorno em menos de uma hora. E pior do que isso, ninguém mais tem qualquer motivo para não atender uma ligação, fato que ainda pode caracterizá-lo como irresponsável ou descuidado.
Nos tornamos reféns de um pequeno aparelho, sem o qual perdemos a direção.
Vamos parar e pensar qual é nossa identidade verdadeira?




