
Por Manuela Mesquita
Essa semana eu li a matéria de capa da Revista Vida Simples de abril, que fala sobre como as pessoas estão conversando menos nos dias atuais.
Muito bem escrita, a reportagem conta sobre como falar, ter um contato pessoal, trocar ideias e ter alguém para ouvi-lo é importante na vida do homem. Nós, seres humanos, temos uma necessidade vital de conversar, expor nossos pensamentos, até mesmo para organizá-los em nossa mente, entendendo muitas coisas que pareciam obscuras pelo simples fato de compartilhá-las com o outro.
Isso já foi dito por muitos especialistas e, como a própria matéria diz, é o princípio da Psicologia. Mas, se pararmos pra pensar, desde que nos entendemos como seres humanos, usamos esse meio como forma de resolvermos os problemas, de nos entendermos mutuamente.
E sendo assim, levanto uma questão. Por que será que estamos conversando menos?
Será que as pessoas não têm mais tempo para nos ouvir? Estão atarefas demais ou sem paciência para “jogar conversa fora”?
E nem me refiro ao fato de falar com alguém, porque isso, tenho certeza que fazemos, até com muito mais freqüência do que antes, graças aos recursos tecnológicos. Refiro-me sim a uma conversa verdadeira, olhos nos olhos, com expressão corporal, entonação e todos os atributos que um diálogo ao vivo e a cores carrega.
Nós estamos carentes dessas conversas. No trabalho, em casa, com os amigos. Muitas vezes me pego “conversando” com pessoas que estão ao meu lado, de olho no computador, respondendo às mensagens no MSN. Será que podemos chamar isso de conversa? Quantos “ois” você distribui todos os dias sem ao menos olhar para o interlocutor? Quantas vezes você pergunta se está tudo bem, por pura força do hábito, e nem se atenta à expressão ou ao tom de voz da resposta?
Em casa, falamos com os olhos na TV, com os amigos, conversamos respondendo a SMS’s, e assim por diante.
O pior de tudo isso, muitas vezes, é quando não existe qualquer desses meios tecnológicos para interromper a conversa e parece surgir um ar sem graça da falta de assunto, do não saber o que fazer ou como agir.
Parece impossível, mas estamos, aos poucos, ficando desabituados a conversas estabelecidas pessoalmente.
Tente ficar durante uma hora numa sala vazia e sem som conversando com alguém que não vê há muito tempo ou que não tenha tanta intimidade. Falta alguma coisa. Talvez seja o barulho das propagandas ou aquele movimento imperceptível das ondas da TV.
Estamos tão acostumados a fazer mil coisas ao mesmo tempo, falar com vinte pessoas instantaneamente, que dar atenção a uma só, entender seus pensamentos, trocar opiniões, avaliar sua linguagem corporal, ficou difícil.
Aliás, linguagem corporal? Ainda sabemos o que é isso? Cada vez mais, as coisas precisam ser ditas, pois somos incapazes de perceber o que não é colocado em palavras. E de preferência, escrito. Porque estamos tão desatentos aos outros, que nem em palavras, quando faladas, temos conseguido nos comunicar.
“Você falou isso? Não me lembro” Ou então: “Mande por email, caso contrário, vou esquecer”, “preciso disso por escrito, para que fique registrado”. Será mesmo que este registro que necessitamos é de algo documental, que possa ser comprovado?
Até nossa memória está prejudicada por esse novo sistema da comunicação e das múltiplas informações.
Como podemos nos lembrar de algo, se nem ao menos ouvimos o que nos dizem?
Nós temos a necessidade de contar os fatos, mas não percebemos a necessidade de ouvir os outros.
E este é o ponto em que queria chegar. Grande parte das nossas reflexões e sim, de nossos problemas, referem-se à comunicação mal estabelecida com o outro. Seja com o parceiro, com o colega de trabalho ou com o resto das pessoas com as quais convivemos.
Se não fosse por isso, por que estaríamos aqui discutindo sobre as diferenças geracionais? Por que discutiríamos sobre qualquer ruído no relacionamento com pessoas diferentes de nós?
Conversar, mais do que importante, é fundamental em exatamente tudo o que fazemos. Mas essa conversa precisa ser de mão dupla, falando e ouvindo, caso contrário, como já é estabelecido por princípio, nunca será um diálogo.
Vamos pegar todas essas questões que tanto nos envolvem sobre as gerações e suas diferentes formas de pensar e agir, puxar uma cadeira, servir um café e conversar?





Pra geração Y isso pouco importa, pra Z então nem se fala…
O fato é que falar bem é talento de poucos enquanto escrever se aprende na primeira série. Essa mudança na comunicação está favorecendo a maioria que se sente incomodado justamente em ter que conversar tanto.