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Por Adriano Berger

Analisando um fórum de discussões que abri tempos atrás com o título “A geração Y incomoda”, comecei a me preocupar com o futuro da nação. “Tá louco, rapaz?!”, você deve estar se perguntando. Tô louco não, vem comigo nessa análise.

O perfil da geração Y é completamente diferente do perfil de um político. Ele é prático, não burocrático; ele é autêntico, não dissimulado; ele é criativo e direto em seus objetivos, não perde o foco com articulações de minorias.

Imagine um candidato Y no palanque com seu discurso: “eu vejo em nosso Brasil uma grande necessidade de qualificação educacional, formando e preparando cidadãos justos para atender à demanda globalizada de trabalhadores excelentes e pró ativos”.

O outro candidato Y falaria: “o fim do tráfico de drogas está na punição do consumidor, pois assim como aquele que compra produtos roubados, o usuário de drogas é um autêntico receptor de produto ilegal e contrabandeado, e consequentemente, é tão criminoso quanto quem vende”.

O terceiro candidato Y falaria: “para acabar com o problema das enchentes vamos adotar tecnologia holandesa, que deve demandar um alto investimento em infraestrutura e equipamentos, mesmo que isso nos obrigue a realizar substanciais cortes orçamentários na máquina governamental, nas forças armadas e no apoio às mazelas internacionais”.

O quarto candidato Y iria ainda mais longe: “vamos promover a sustentabilidade através de leis regulamentadoras nas indústrias, fazendas de plantio e de criação de gado, principalmente na área de licitações, onde se tornará obrigatório a comprovação de aplicação de recursos na área social e ambiental. A cidadania e o meio ambiente serão quesitos tão obrigatórios no demonstrativo contábil quanto o pagamento de INSS das empresas”.

O quinto candidato Y iria à loucura com o seguinte plano de governo: “o rigor da lei será ainda mais pesado a quem exerce qualquer cargo público. Porque não basta gozar dos benefícios do emprego público, inclusive aqueles elegíveis e concursados. É preciso dar o exemplo de cidadania, competência e transparência àqueles para quem o servidor público trabalha, onde atos de ingerência ou corrupção serão punidos severamente por um tribunal veloz e justo.”

Bem, nem vou falar muito do sexto candidato, que estipulará em seu plano de governo que para ser candidato com direito ao voto, o cidadão deverá apresentar suas credenciais profissionais como formação acadêmica, além de inglês e espanhol fluente, necessários para negociações internacionais.

Se você ainda acredita que a sucessão desses sessentões que percorrem os corredores dos palácios municipais, estaduais e federais será alvo de cobiça dos membros da geração Y, eu confesso que ainda tenho minhas dúvidas. O Y não combina com discurso eleitoral e lutará pelo que é seu, não vai remar contra a maré quando poderá dedicar tempo para fazer o seu futuro, preservando os seus valores dentro da iniciativa privada.

E nosso amado Brasil ficará à mercê dos ativistas e articuladores que ainda chamarão política de profissão.

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4 Responses to “Quem vai governar o Brasil daqui a dez anos?”

  1. Karen disse:

    Muito bom o texto. Reflexão interessante. Só acho que o perfil político traçado por você tem mais a ver com valores e caráter do que com gerações. Existem muitos políticos (deputados, vereadores, prefeitos) da geração Y dissimulados, burocráticos, com discursos vazios e que são totalmente a favor de pessoas sem instrução votarem em troca de cestas básicas. Ser assim não é “privilégio” dos “sessentões”. Infelizmente, acho que o lugar deles já é cobiçado por muitos Y, talvez educados com os mesmos “valores” deles.

  2. Perfeito, Karen! De um modo muito generalista, como foi descrito no texto, acredito que o interesse pela carreira política será cada dia mais escasso pela geração Y, fruto do bombardeio do conhecimento, mesmo a contragosto, que os levará a uma busca de satisfação pessoal através de uma profissão no mercado de trabalho privado, fugindo de um esteriótipo cada dia mais desgastado da pessoa do político. Realmente os valores que permeiam nesse mundo da gestão pública, como você bem apontou, muitas vezes já são transmitidos de pai para filho. É sob a minha ótica de que a geração Y terá como maior símbolo o fato da desestruturação familiar, ou seja, jovens crescendo sem a presença e influência dos pais originais, que reforço a minha idéia de que cada vez menos veremos filhos de políticos se interessarem em seguir a mesma carreira do pai… mesmo que recebam por herança algum traço dos valores paternos.

    Quero ratificar o fato de ter descrito os políticos com alguns adjetivos negativos. Errei por não ter escrito “há exceções”, pois eu mesmo conheço vários, tenho amizade pessoal com alguns, de comportamento e índole admirável, e peço desculpas pela ênfase equivocada e exagerada que pode correspondar a muitos, mas não a todos.

    Obrigado por contribuir com sua valiosa opinião!

  3. Gilberto Jamelli disse:

    Texto muito interessante.

    Eu confesso meu discurso é o conjunto do 1°,2°,5° candidatos. No entanto vejo que os jovens(geração Y) não se interessam por seguir carreira política porque não tem em quem se espelhar. E nem sei se o candidato que tivesse esses discursos iria encontrar espaço nos partidos políticos, pois, vai de frente com status quo dessa “profissão”. E também para remar contra a maré já teria que ter sua vida financeira bem resolvida.
    Necessitamos sim que gestores,executivos que estão em idade de se “aposentar” ingressem na política que na sua raiz tem tem como sinônimos: estratégias, ação. O que se faz no Brasil é politicagem,conchavo, conivência e tramóia.
    Temos sim que enfrentar essa cultura instalada no executivo e legislativo brasileiro.Estou sendo apartidário ,pois, sabemos que corrupção no Brasil existe desde os tempos dos militares.
    O problema é encontrar gente com dinheiro e disposição falar num onde não vai haver eco.
    Acredito que quando a geração Y estiver atuando como professores e formadores de opinião(analistas políticos,economistas e professores de históra, de geopolítica) teremos uma política mais decente e um País com pensamento de futuro.
    Mas acredito que isso vai demorar ou também nem vai existir, pois, o mundo acaba em 2012.RSRSRSRSRRS(Nisso eu também não acredito).
    Fui

  4. Gilberto Jamelli disse:

    Ps.
    Quando citei militares quis falar de suas construções faraônicas como Itaipú e trans-amazônica(que nem foi concluída e demandou verba estatal).

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