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Por Clara Zaiantchik

Aqui estou eu novamente compartilhando experiências que surgem a partir do meu contato com as demais gerações. Ainda que eu não esteja tanto em contato com o mercado de trabalho, o que vivo dentro de casa ou nos mais diversificados ambientes me traz a percepção de que, cada vez mais, é preciso haver respeito e tolerância entre os seres humanos, não importa a idade.

Esse final de semana vivenciei algo que só ratifica essa conclusão a que cheguei. Estive em uma espécie de barzinho, onde minha filha havia marcado a comemoração de seu aniversário. Há alguns anos costumo estar presente nesses eventos, porque sei o quanto é importante para ela me ver lá, conversando com os amigos, “fazendo sala” e marcando presença como a mãezona da turma. Mas chega uma certa idade em que não podemos só nos focar nos interesses dos filhos, até porque eles não se prendem muito em nós quando precisam fazer suas próprias escolhas (pelo menos é isso o que tenho observado – corrijam-me se eu estiver errada!).

É por isso mesmo que tenho segundas intenções ao sair na noite: quero entender como pensa essa nova geração, me interar sobre o que está acontecendo de “novo” no mundo e captar a impressão que esses jovens têm de nós, baby boomers, quando decidimos nos render aos mesmos prazeres a que eles estão acostumados.

E “não deu outra”. Mais uma vez, compreendi que, por mais que os Y’s tenham um discurso inclusivo diante das outras gerações, a teoria ainda fica bastante distante da prática. Como baby boomer, não posso dizer que me senti como um peixe fora d´água, pois fui muito bem recebida pelos que estavam à mesa participando da celebração do aniversário. Porém, aonde quer que direcionasse o meu olhar, enxergava risos, piscadelas, “caras e bocas”, confirmando a minha tese de que o nosso espaço ainda se faz bastante pequeno diante da força desses jovens.

Nem teria o direito de afirmar que faziam isso de forma consciente, pois cada atitude soou para mim como algo espontâneo e já intrínseco ao dia a dia deles. Um ar de superioridade e egocentrismo pairava no ar, como se a mensagem que quisessem passar fosse: “Hey, eu te respeito, mas não preciso repetir que sou muito melhor que você, né?”. E não, eu não estava fora de mim ao perceber isso – era nítido para qualquer um.

Nessa hora, me vieram diversos sentimentos juntos: um certo lamento, por entender que nós, pais, não fomos suficientemente bons ao transmitir a esses jovens a noção de altruísmo ou cumplicidade. Tentamos muito, mas para alcançar essa tropa precisamos quase subir aos céus. E talvez eles até entendam, aceitem, mas não saibam como praticar. Senti também uma espécie de receio, pois a diversidade se torna algo cada vez mais constante no mundo moderno, e a mimada geração Y vai precisar aprender a lidar com essa realidade. Porém, mesmo observando tudo isso, ainda não abandonei as esperanças que tenho de que os Y’s construirão uma sociedade melhor, desde que estejam propensos a conviver amistosamente com outras gerações.

Penso que, se o preconceito e a indiferença fossem deixados um pouco de lado, talvez pudéssemos interagir mais com eles e criar um laço de verdadeira troca, ensinando e aprendendo sempre.

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