Por Eline Kullock
Começo esse post falando sobre o livro de Marc Augé: “Não lugares, introdução a uma antropologia da supermodernidade”, que mexeu com a minha cabeça recentemente, levando-me a estabelecer algumas relações, uma delas com o vídeo do Michael Wesch, “An anthropological introduction to YouTube” sem versão em português. (vídeo acima)
O fato central é que os jovens de hoje já não sabem mais os limites entre o real e o virtual.
Marc Augé fala da dificuldade de se entender o near (perto, junto) and elsewhere (outro lugar). O jovem já tem dificuldade de separar o que é aqui e o que acontece no mundo “lá”. O mundo real e o mundo virtual.
E as próprias redes sociais incentivam isso. Você planta numa fazendinha, trabalha na colheita, alimenta o pinguim, como se estivesse fazendo na vida real.
Você conversa com a câmera do seu lap top sem se dar conta de que milhões de pessoas poderão assisti-lo, caso a gravação seja postada na rede. E então, pode falar qualquer coisa, sem os limites da vida real.
E é ai que começa o perigo. Fala-se mal de alguém, sem a noção real do impacto dessa informação para o mundo.
O “here”, aqui, no meu canto, não percebe o “elsewhere”, ali, no todo mundo. Estou aqui e posso escrever o que quiser, pois estou só, o que muitas vezes faz com que eu não compreenda que se colocar a informação no Youtube ou no Twitter, revelarei segredos que não pensava em revelar.
E se esta premissa é verdadeira, se não entendermos o que está no real ou no virtual, então qualquer treinamento sobre comunicação nas organizações será pouco eficaz.
Parece loucura? Talvez para os Baby Boomers, mas não para os nativos digitais.
Então, qual a solução para que coisas confidenciais não sejam colocadas na “boca do povo”?
A solução é conversar sobre esta possível confusão sobre o real e o virtual.
Fazer com que principalmente os jovens pensem sobre esta situação.
Não adianta dizer a eles como fazer, eles precisam de um insight.
É fundamental aplicar exercícios para que possam perceber as confusões e os problemas que poderão vir a ter misturando o real e o virtual. Só normas, escritas, da forma tradicional, não vão funcionar.
O problema é mais profundo e só mesmo a prática poderá fazê-los enxergar e entender as regras do jogo dessa nova forma de comunicação.




