
Por Eline Kullock
Hoje eu presenciei uma cena insólita que, além de curiosa, mostra um pouco de como será o futuro da comunicação entre a nova geração, a que hoje ainda é criança.
Bibi, minha neta de três anos, teve uma conversa no Rio com sua prima Isa, de dois anos, de São Paulo. A conversa ocorreu via skype.
Bibi e Isa se gostam muito, embora se vejam pouco. Repetem o caminho das irmãs Elô e Juliane, as respectivas mães, que moram em cidades diferentes.
No primeiro momento Isa e Bibi ficaram muito confusas. Adoraram se ver, mas colocaram a mão na tela pra entender o que estava acontecendo. Quando uma das mães tentou explicar que estávamos detrás do computador, uma delas tentou literalmente olhar atrás do computador. A mãe retrucou: “Não, é como na TV que você vê um programa!”. E a Isa ficava olhando pra TV e pro computador sem entender a ligação entre eles.
As duas, que costumam brincar muito quando se encontram, ficaram mudas.
A primeira a falar foi a Isa, que disse: Eu quero ver a Bibi!
A mãe explicou que a Bibi estava em outra cidade. Eu podia ver a cara de espanto das meninas.
Isa insistiu: Quero ir pra casa da Bibi!
E as mães tentando explicar que elas estavam em cidades diferentes. Nada dava certo.
As meninas estavam confusas!
Como se já fosse pouco, Juliane tinha um aplicativo no MSN (sim, mudamos de rede) que colocava perucas, ou chapéus, ou qualquer coisa na cara das pessoas. E ela criou um chapéu virtual pra Isa. Então a Bibi pediu: “Quero esse chapéu”. E a Isa respondeu: “Que chapéu? Eu não tenho chapéu”.
E a Bibi saiu correndo pra procurar um chapéu real para exibir.
Isa começou a pedir o chapéu e Bibi afirmando que ela já tinha um!
Juliane e Elô, as mães, não têm idéia do que abriram de possibilidades pro mundo de Bibi e Isa neste momento. Ao mesmo tempo, criaram nelas a mesma confusão que vejo nos jovens de hoje: o que é virtual e o que é real?
Ao final da ligação, Bibi estava exausta. A cabecinha devia estar processando as informações adquiridas naquele momento. Dali pra frente, cada vez que elas se virem pelo computador, a informação será absorvida aos poucos. Elas aprenderão a criar chapéus, fantasias, perucas e tudo o mais que a tecnologia inventar.
Foi nesse momento que se deu a transformação de duas nativas digitais.
E, pra elas, o mundo certamente não será mais o mesmo.





Eline/Esther
Estamos vivendo num mundo maravilhoso apesar de tudo.
As crianças de hoje vão usufruir de coisas nunca jamais imaginadas. Eu me pergunto se essas crianças serão mais
felizes e a sensação que tenho é de absoluta perplexidade
diante da tecnologia que vai comandar as gerações futuras.
Gostei muito do encontro da Isa e da Bibi, delicioso!