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Por Eline Kullock

Fico me perguntando se os jovens sabem, já pararam pra pensar, como se sentem os mais velhos quando não conseguem entender um comando tecnológico, um aplicativo, a noção de tentativa e erro num jogo.

Pois eu lhes digo. Sentem-se péssimos, verdadeiros #loosers. Isso significa falhar e falhar nunca nos foi permitido. Fomos acostumados, por nossos pais obedientes, a sermos dedicados à escola, ao trabalho (por isso trabalhamos demais) e a todos os compromissos assumidos.

Transgredíamos de outras maneiras (transgredir é ousar, é desafiar, é romper com o status quo, é buscar o novo), mas escola e trabalho eram fortes tabus.

Quem não passava no primeiro vestibular era “castigado” pela família, pela escola, pelos amigos. A vergonha era enorme.

E hoje o mundo mudou e, de repente, começou a existir toda uma tecnologia que é difícil pra nós entender. É difícil viver sem manual, é difícil saber o que fazer quando começamos um jogo, por não ser algo intuitivo.

É difícil perguntar, porque não nos foi permitido questionar, porque temos receio de não entendermos a resposta, tão cheia de siglas e sinônimos tão óbvios pra Geração Y e tão sem lógica pra gente.

Ao mesmo tempo a gente vê como para vocês, da Geração Y, é chato explicar as coisas. Tudo parece tão óbvio, tão “bizarro”, como vocês dizem, que a gente fica sem jeito de confessar (sim, é uma confissão) que não entendemos.

Na nossa época, informação era poder. Saber tudo era coisa de professor, de chefe, de mestre.

Hoje ninguém sabe tudo, tantas são as informações que recebemos, cotidianamente.

Mas a gente não muda o modelo mental tão rapidamente. Já viemos contaminados pelos genes de nossos pais e avós, batalhadores, que vieram pro Brasil como imigrantes e aprenderam língua, cultura, trabalho. E fomos nos contaminando mais ao longo da vida, que exigia da gente a perfeição.

Então, preste atenção, quando alguém mais velho lhe disser devagarinho e em voz baixa: “-Não entendi. Você pode me explicar?”, essa pessoa de fato não tem seu modelo mental.

Da mesma forma que você não consegue entender a vida sem celular, sem iPod, sem internet, sem Google, a gente não consegue entender a vida com isso tudo, toda hora.

Saiba respeitar os diferentes modelos mentais. É da diferença que nasce a melhor idéia. É da conversa, da compreensão sobre os outros, que somos capazes de crescer como cidadãos, e educar nossos filhos com mais compreensão do mundo.

Importante entender que estamos num país jovem, onde ser mais velho é estar fora de moda. E que o não saber nos define como velhos. E, na verdade, embora saibamos que vamos viver por muitos anos, por conta da evolução da medicina e pelo aprendizado sobre o que é ter uma vida mais saudável, é difícil ser considerado o tiozinho da Fanta.

Não queremos estar por fora. Essa sensação nos irrita e assusta.

Vamos trabalhar em harmonia? Eu te ensino com a minha experiência e você me ensina com sua agilidade e esperteza tecnológica!

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7 Responses to “Ser mais velho é estar fora de moda”

  1. José Antônio disse:

    Muito oportuno o post.

    Creio que o aprendizado mútuo é mais do que válido. Eu como “integrante da Geração Y” me sinto na obrigação de “respeitar os diferentes modelos mentais”. Assim como temos nossa facilidades em compreender a tecnologia atual, devemos compartilhar essas com a experiência de gerações anteriores, pois sem elas não teríamos as informações e ferramenteas tecnológicas que temos hoje. Cabe aqui uma simples frase porém de um valor inestimável: “tudo que sei é que nada sei”. Achar alguém hoje em dia que consiga dizer que não sabe algo é raro e deve ser respeitado, a humildade constrói o aprendizado. Portanto, compartilhemos nossos conhecimentos e sejamos felizes.

  2. Nem preciso dizer o quanto aprecio seus textos, e concordo com esse literalmente, né Eline. O problema está na fase dos jovens, que mesmo pensando que já cresceram em tamanho e conhecimentos (é inegável que aprendem mais coisas muito mais cedo do que antigamente), ainda não amadureceram suficientemente como pessoas para gerenciar o montante das informações que recebem.

    Eu mesmo vejo por mim o quanto sou diferente hoje, aos 36 anos, do que era aos 20: um rebelde tresloucado que demorou a sair da adolecência, sempre sob marcação serrada dos meus pais. Mas e sobre juventude de hoje, na faixa de 25 anos, que não crescem sob a marcação e acompanhamento dos pais, não será mais demorado amadurecer e reconhecer a importância de se relacionar melhor e tirar proveito da bagagem cultural e vivencial dos mais velhos? O respeito parece que demora mais a parecer-lhes relevante.

    Descer alguns degraus para acompanhá-los em seu estágio ainda parece ser mais simples para quem está no topo do desenvolvimento do que esperarmos que eles aceitem a realidade de quem já chegou lá, onde eles ainda chegarão um dia, e aí sim vão dar maior importância para isso… e se frustrarão com os mais jovens que não os compreenderão… e por aí vai o ciclo da vida.

    Grande abraço!
    Adriano Berger

    • Eline Kullock disse:

      Oi, Adriano, concordo contigo. Tomá-los pela mão é importante. Nem sei se é descendo alguns degraus! O importante é que todos possam se dar as mãos. E mudar esse ciclo de vida que você cita, onde ninguém se entende! A questão “respeito” merece mil posts!!!! rs
      Um beijo grande,
      Eline

  3. clara Zaiantchik disse:

    Eline, em algumas situações nos faltam palavras e essa é uma delas.
    O que dizer? Vc é um gênio.
    Obrigada por me proporcionar uma leitura tão coerente e verdadeira. Sou sua fã incondicional. Parabéns.
    Grande abraço.
    Clara.

  4. Joseph disse:

    Excelente o seu texto, mas é preciso que eles não esqueçam de que também há vida para além da tecnologia.
    O que está sucedendo é que estão escrevendo cada vez pior, não sabem interpretar um texto, e um elementar problema de matemática é uma complicação!
    Felizmente estes ainda não constituem a maioria, há os que são muito bons em vários ramos do saber e ainda por cima compreendem a ignorância tecnológica dos “fora de moda”. :)
    Parabéns pelo tema escolhido.

    • Eline Kullock disse:

      Joseph,
      É importante que eles entendam os mais velhos, assim como é importante que os mais velhos entendam o que motiva e forma essa geração. Essa integração é difícil mas várias pessoas e organizações começam a compreender que este assunto não pode mais ser ignorado!
      Um beijo,
      Eline

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