
Por Eline Kullock
Você é um pai jovem e moderno, deu a seus filhos uma educação completamente diferente da que recebeu de seus pais, sem tanta repressão, sem limites rígidos e com mais tolerância. Buscou sempre manter a amizade, favorecer a boa conversa, entendendo o ponto de vista “das crianças” e as mudanças do mundo contemporâneo.
No entanto, em algum momento percebe que a desobediência está maior do que desejava, a bagunça vai de mal a pior e que aquele amigão não corresponde a muitas de suas expectativas. Quanto mais você dá, mais ele quer, pede e exige.
Alguma identificação com o caso acima?
Pois é, você não está sozinho.
Essa reclamação não é nova quando falamos das mudanças ocorridas dentro dos lares das novas gerações (e nos incluo nessa). Não foi comigo ou com você, foi com todos nós.
Após termos lapidado nossos pensamentos modernos e uma educação liberal e feliz, voltamos à conclusão mais antiga, que mesmo por meios opostos, é a mesma dos nossos queridos e repressores pais: Filhos devem ser tratados como filhos e não como colegas. Eles precisam (e muito) de limites. E vão testar sempre até onde podem ir.
É bem verdade que nunca estaremos satisfeitos com a educação dos nossos pais. Sempre queremos mais liberdade e por conta disso vamos tentando educar nossos filhos de outra forma. Mas é fundamental termos consciência de que eles vão sempre transgredir, pois isto faz parte da natureza humana de todas as gerações.
Eu transgredi, no meu tempo ( sou uma Baby Boomer, lembrem-se ) e ficava furiosa com o que me era imposto. E assim, todas as gerações transgridem, para criar suas próprias identidades, entender os limites do mundo e o que lhes é permitido.
Você lutou pra conseguir certas regalias de seus pais e é normal que não queira que seus filhos enfrentem a mesma batalha. Parece lógico, não? Não é.
Um dos maiores problemas que temos com as novas gerações é a falta de limites, agravadas ainda mais por pais que trabalham muito e estão pouco presentes na educação dos filhos. Quando chegam em casa, cada um está no seu quarto, teclando com os amigos, jogando, numa realidade baseada nas mídias sociais, que nem sempre podemos compreender.
Essa forma de educação precisa ser mudada, os filhos precisam sim de limites. E se você der “x”, eles vão brigar por “x + 2” e vocês negociarão um “x + 1”. Sempre. É assim que o mundo evolui. Caso contrário, estaríamos nas trevas.
Permita que eles ousem, transgridam, mas com atenção.
O mundo sem limites é um mundo sem valores, onde agredir o outro (seja ele quem for) é normal.
Se você quer ajudar o mundo, comece por educar seus filhos. Dê e negocie. Escute e argumente. Explique e mostre-se amigo.
Fazer isso é mais difícil do que ceder, eu sei, mas é o único caminho na educação das crianças que vão formar a nova geração de profissionais. A nova geração de cidadãos do mundo.
Seus filhos agradecem. As organizações também, pois terão mais facilidade em funcionar dialogando e não só controlando.
E você vai ter certeza de que realizou sua função básica com seus filhos: Inserí-los no mundo. Com valores, criatividade e consciência dos limites de cada um de nós.





Sempre pontual, irreverente, inteligente, enfim, adorei como sempre.
Parabéns.
Sua fã.
Clara.