
Por Manuela Mesquita
Geração Y, assunto que não sai das matérias de jornais, da pauta das empresas e das discussões em todas as mídias. Por que isso tem dado tanto o que falar?
A resposta é simples: porque essa geração está trazendo mudanças e, como toda mudança, tem seu lado bom, muitos lados ruins e um grande desconforto e insegurança por parte dos envolvidos na questão.
Mas o ponto que quero tocar é dar um pouco da minha visão de Y para as empresas e para quem mais puder interessar.
Moro com três amigas, todas Y e quase toda noite as conversas giram em torno de trabalho, expectativas, vitórias e frustrações. É claro que umas estão mais felizes, outras menos, mas o que vejo delas e do resto das pessoas com as quais convivo é que é uma geração cheia de vontade de trabalhar, crescer, ganhar e querer tudo, mas com desapego, um desapego que não vejo de forma alguma nas outras gerações.
É engraçado como o conteúdo da conversa muda dependendo do núcleo em que estamos. Sinto por parte dos mais velhos, uma maior insatisfação com o emprego, menos brilho nos olhos e menos expectativas, o que também é natural, mas mais fidelidade, fato que parece incoerente aos nossos olhos. Trocar de emprego para eles é a última solução, pois parece que estão dispostos a tentar tudo, negociar mais e ter mais tolerância aos problemas, antes de abandonar o barco.
Do lado de cá, vejo grande empolgação com tudo, com as promoções, os desafios e as oportunidades. Mas vejo uma superficialidade na relação empresa-funcionário. E talvez o mais curioso disso tudo é que quanto mais talentosa e mais opções a pessoa tenha na própria empresa, maior parece ser a chance dela, assim, sem mais nem porém, trocar de emprego.
Por mais feliz e encaminhada que esteja, quando um talento é questionado se acha que ficará na empresa pela vida toda, não se admire se a resposta for não. E esse “não”, não necessariamente é erro da empresa, mas pode ser porque ele possivelmente quer abrir o próprio negócio, diversificar sua atuação, buscar novos desafios ou alçar vôo para onde puder. As razões para o “não” são muitas, e claro, podem mudar. Mas, como princípio, o Y não tem esse vínculo, nem essa responsabilidade ou dever de fazer sua carreira no mesmo endereço.
Ingratidão? Depende do ponto de vista. Se você considera que a gratidão é demonstrada por tempo de permanência no mesmo local, sim, os Y’s são ingratos. Por outro lado, se gratidão corresponder a desenvolver um bom e dedicado trabalho no tempo que puder, talvez a opinião mude um pouco.
E, pasme, experimente ser um Y bem conformado com sua situação de trabalho, por mais que ela não seja assim tão boa. Você provavelmente ouvirá de seus amigos diariamente, que está acomodado, que devia logo buscar outra coisa, que ficar muitos anos no mesmo emprego faz mal. Se você tiver experiência internacional, falar outras línguas, ter feito um bom estágio e ainda estar sendo assediado pelo mercado então, se segure, porque estará praticamente cometendo um crime se disser que quer sim ficar lá.
Pois é, os tempos mudaram e a cultura também. Enquanto as mães ainda dão discursos sobre a importância da conversa no trabalho, de entender o ponto de vista do chefe e entender que empresas são mesmo complicadas, os amigos questionam por que raios você ainda está naquela posição, esperando reconhecimento.
É, imagino o desafio dos chefes e também não sei dar respostas, mas se pudesse dar um conselho, diria que busquem entender e conversar com seus talentos, aproveitando o máximo do que eles ainda podem oferecer.





Adorei o texto! Como Y, não acredito que seja ingratidão. Aproveitamos ao máximo as possibilidades de desenvolvimento dentro da empresa, mas chega uma hora em que é preciso mudar e conhecer cenários diferentes. Isso é crescer, somar experiências.
Existe um ‘perfil’ perfeito?
A empresa quer um funcionário para chamar de seu e o funcionário quer uma empresa para chamar de sua! Ninguém é ingrato por buscar a tão sonhada estabilidade profissional. A empresa que quer um funcionário para chamar de seu é aquela que só está procurando atingir suas metas. Hoje, o mais importante não é somente atingir a tal meta e sim como o trabalho é feito para essa meta ser atingida. Geração Y, N, G seja qual for a do funcionário, a empresa nunca poderá chamá-lo de seu!
Parabéns pelo excelente texto!
Oi Manuela tudo bem,
Acredito que não seja questão de ser desapegada ou infiel. Nós que recebemos o título de geração Y.Crescemos e vivenciamos um mundo em transformação.A geração que nasceu na primeira metade da década de oitenta vivenciou todo desenvolvimento da tecnologia. Quem aqui não teve um Atari e hoje tem X-Box, a evolução do windows, eu mexi numa coisa que chama windows 3.11. Meu primeiro Pc tinha 4 gigas de HD , meu pendrive hoje tem mais.Sabe o que é isso.Sabemos que as coisas não são eternas.
O que nós buscamos é o que o filósofo Mário Sérgio Cortella que você citou na reportagem: “A nova geração precisa de contato com o mundo real” chama no seu livro : Qual a sua obra? de Lealdade Relativa. Até o momento que somos desafiados nós somos fiéis.No texto que o Cortella trata disso , fala: se unir uma empresa que ofereça as possibilidades de desenvolver nossas potencialidades além de um “propósito” de vida o funcionário do século XXI trabalhará.
Como Cazuza cantou na década de 80: “Ideologia eu quero uma pra viver”. Eu gosto de uma frase: “Antes uma causa perdida que uma boa vida”.
Por não haver hoje grandes divergências ideológicas mundiais, politicamente o mundo é centro, esquerda e direita economicamente não existe todos são Neo-liberais e os negócios não são mais regionais, mas sim globais.Pra que criar raízes?
Podemos criar “raízes” em companhias que ofereça além do financeiro, um motivo pelo qual existir, lutar e defender.
Eu acredito que eu seja até mais radical,pois, não quero desempenhar uma atividade que só me remunere.Se não for pra trabalhar em empresas como a Ambev, e outras que enfrentam grandes players mundiais prefiro ser empreendedor e criar o meu legado.
Para quando perguntarem : Qual a sua obra ?Terei o que mostrar.
Abraços,
Gilberto Jamelli