
Por Renato Andrade
O tempo passa, a moda muda, costumes são deixados de lado, mas os ditados populares continuam firmes.
Algumas expressões populares parecem manter-se imutáveis por anos. Mas será que elas se adequam ao cotidiano da Geração Y?
A ideia de passar um conselho adiante é a mesma e continua válida em qualquer época. Mas fiz uma analogia de alguns ditados, comparando-os às características dos jovens atuais, pelos quais podemos enxergar a mudança de alguns valores e costumes:
- Quem tem boca vai a Roma:
Sim, a geração Y pode chegar a Roma facilmente! Ela sabe exatamente o que vai encontrar, quais os melhores lugares da região e ainda ter milhões de amigos italianos sem nunca ter estado no país.
Graças à tecnologia, podemos utilizar o Google Maps, fazer um rápido passeio pelo local e ver o que outros blogueiros comentam. Já existe até um serviço especialista no assunto: no Foursquare internautas de todos os cantos do mundo estão criando um verdadeiro guia turístico virtual com dicas de quem foi, viu e viveu.
- Quem avisa, amigo é!
Não podemos generalizar, mas sim, atualmente negócios são fechados virtualmente com pessoas (praticamente) desconhecidas. O consumidor adquiriu o hábito de procurar informações sobre produtos e serviços nas mídias sociais antes de realizar uma compra.
Uma página na web com espaço aberto para comentários pode virar um quadro de avisos com direito a discussões sobre qual o melhor celular disponível no mercado ou até reunir noivas de várias regiões do país para juntas conseguirem descontos em serviços e lembrancinhas.
- O silêncio vale ouro
A Geração Y não é adepta ao silêncio e questões ou opiniões são disponibilizadas abertamente nos novos canais de comunicação.
A imprensa já divulgou vários casos em que relatos infelizes nas mídias sociais motivaram dispensas no trabalho. Sem contar os casos de ciberbullying*, novo problema social entre as crianças.
*Ciberbullying – conjunto de práticas agressivas, intencionais e repetitivas feitas por uma ou mais pessoas contra outra, utilizando-se de meios eletrônicos, como internet e telefones celulares.
- Mais vale um pássaro na mão, do que dois voando
Outras gerações tinham a ideia de poupar, economizar para dias mais difíceis ou para quando ficassem mais velhos. Agora percebo que a Geração Y possui certo desapego aos bens materiais e, indiscutivelmente, é mais consumista!
Também pudera: Um computador adquirido hoje estará desatualizado no próximo ano. A boneca e o carrinho de plástico que eram o sonho de consumo da geração Baby Boomer foram trocados pelo aparelho celular ou qualquer objeto tecnológico, como demonstrou a pesquisa realizada pela UFG (Universidade Federal de Goiás), revelando que crianças preferem ganhar presentes como MP3 e celulares.
- O trabalho enobrece o homem
Será mesmo? Perguntaria um fiel membro da Geração Y, que está debatendo com a sociedade essa questão.
Gerações anteriores perderam muito tempo de suas vidas na construção de grandes empresas. Outros viram familiares esforçarem-se no desenvolvimento da companhia de terceiros para serem descartados em função de novos padrões de estrutura organizacional.
Os Y´s querem trabalhar e desejam entrar o mais breve possível no mercado de trabalho (obviamente, com bons cargos e salários). Não possuem o conhecimento de hierarquia e não compreendem a burocracia, mas possuem no subconsciente a ideia de viver bem a vida, de que precisam dar destaque às relações pessoais. São considerados “workaholicks”, multitarefas, mas até o momento em que esbarram em valores pessoais e querem seu momento de diversão.
Para essa geração, não é o trabalho que enobrece o homem e sim suas experiências pessoais. Como mostra um comercial fiel à nova realidade, nada melhor do que tirar um dia ensolarado para desbravar uma trilha e pular de asa-delta.
O trabalho?
A geração Y é favorecida pela tecnologia e entende que pode cumprir com suas obrigações a qualquer hora. O importante é aproveitar o hoje para produzir bem e feliz amanhã.





Já se tornou usual usar o ditado “Quem tem boca vai a Roma”, mas o original é “Quem tem boca vaia Roma”. Sim, é um ditado político, mas acabamos em transformá-lo em algo relacionado à comunicação. No fianal, não faz mais diferença, pois o modo que o usamos hoje também serve para passar uma mensagem.