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Por Clara Zaiantchik

A formação em Pedagogia sempre me trouxe o desejo de compreender os fenômenos da sociedade de forma mais global. Um exemplo disso é minha recente reflexão sobre o difícil contexto histórico-econômico que o jovem tem vivenciado desde o seu nascimento.

Tenho alertado colegas e amigos sobre minhas percepções em relação a esse jovem, que sente de forma direta o impacto das rápidas mudanças cotidianas e é envolto por um panorama social incerto, por vezes bastante cruel.

Realmente sinto que o jovem sofre de maneira diferente daquela que nós, baby boomers, sofríamos em nossa infância e juventude. Lembro como se fosse hoje que não tínhamos tantas preocupações, éramos poupados ao máximo por nossa família e existia dentro de nós uma certeza: de alguma forma, tudo acabaria bem.

Acredito que nossos pais, veteranos de guerra, tiveram que aprender a se proteger muito cedo, sozinhos, seguros apenas de sua própria força interior. Dessa forma, tentaram nos oferecer aquilo que não tiveram, para que nada nos faltasse ou pudesse transmitir a sensação de perigo.

Hoje em dia, penso que a realidade é bem diferente. Nós, apesar de termos tido tudo, não repetimos essa realidade com nossos filhos. Fomos ausentes, em certos momentos, porque acreditamos que era melhor deixá-los caminhar “com suas próprias pernas” pelo mundo. Certamente, essa foi uma boa escolha, já que a falta promove o crescimento, mas talvez não prevíssemos que a realidade desse século seria tão dura com eles.

Nos dias atuais, observamos mais tensão, estresse e sofrimento na vida do jovem desde a primeira infância, já que palavras como competitividade e disputa se mantêm em alta o tempo todo, até mesmo entre as crianças. A geração Y se vê obrigada, então, a lidar com as adversidades de forma razoavelmente madura, já que, caso contrário, sofrerá perdas e frustrações.

Como pais, nem sempre ensinamos a eles a importância de lidar bem com a frustração, porque pensamos que eles seriam o “máximo” sempre. Nunca duvidamos de seu potencial e os superprotegemos, mesmo à distância. Porém, eles acabaram aprendendo sozinhos, já que a escola, a universidade e, principalmente, o mercado de trabalho, exigem que se tenha jogo de cintura e resiliência para compreender as mais diversas situações.

Portanto, o que observo é que, mesmo passando por dificuldades e sentindo falta dos mimos paternos, o jovem de hoje sabe lidar com problemas, adversidades e imprevistos. Ele movimenta as peças do quebra-cabeça de um jeito próprio, construindo uma realidade única para fazer valer o seu potencial.

A geração Y sofre, sim, no mundo moderno. Mas sofre sabendo que esse mesmo mundo precisa ser construído passo a passo, revelando talentos e promovendo a cultura colaborativa dia após dia.

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