
Por Manuela Mesquita
Já dizia Mário Sérgio Cortella que as crianças e jovens de atualmente desconhecem os processos, não entendem a necessidade da preparação de algo, já que até a comida é comprada no drive-thru ou na pizzaria, e chega em, no máximo, 10 minutos. E está tudo resolvido.
A ideia é uníssona na boca de outros, que convivem e falam sobre essa geração.
Se isso é bom ou ruim? Não há resposta pronta, o fato é que é assim.
Tuka Okrent, educadora física e atriz, que trabalha há mais de quinze anos com jovens, tem sua opinião. Defende a necessidade das crianças terem contato com algo “real”, desenvolver a expressão corporal, até como forma de encontrar seu próprio eu, que segundo ela, anda perdido por aí.
Com experiência de quem trabalhou com crianças nos Estados Unidos, Israel e Brasil, Tuka concedeu a seguinte entrevista ao Foco em Gerações:
Você trabalha há quinze anos com jovens, o que indica que vivenciou uma mudança de gerações, principalmente no que diz respeito ao comportamento, antes e depois da tecnologia. Quais as principais diferenças que você vê entre o jovem atual e o de mais de dez anos atrás?
Acho que hoje as crianças são influenciadas por diversos aspectos: casamentos mistos, entre diferentes religiões, pensamentos diferentes dentro de casa e muitas separações. Muitas crianças não têm contato com a vida real, com processos. Elas acham que o suco de laranja vem do saco e não de um pé, que foi plantado e cultivado. Se você foi uma criança mimada, que não teve limites, vai ter que aprender na raça, vivendo. Na minha época, era uma luta para fazer parte da banda, da turma de teatro do acampamento e etc. Ser amigo de alguém desses grupos já era uma honra. Hoje, isso não tem mais valor para as crianças. Também acho que elas estão assumindo responsabilidades muito cedo, sem ter maturidade para isso, para liderar uma equipe ou passar valores. Não dá para generalizar, mas é comum vermos isso.
As crianças brasileiras valorizam muito o que é estrangeiro, programas e desenhos americanos, dando pouco valor ao que é nosso. As viagens estão muito mais presentes em seus cotidianos, tudo é mais comum, o que é ótimo, mas fica difícil achar coisas simples que os satisfaçam.
De que forma você sente isso no cotidiano de seu trabalho em acampamentos e nas recreações com jovens?
Antigamente, nos acampamentos, não tínhamos contato com os pais, hoje, por mais rústico que ele seja, existe sempre uma forma de mandar e-mails. A mala que na minha época voltava cheia de roupa suja, que era escolhida para isso mesmo, hoje vem impecável, com roupas de marcas, a chapinha e diversos itens de consumo. As meninas já vão maquiadas para o café da manhã, é uma mudança muito grande. Sinto dificuldade até mesmo em mexer no cabelo das crianças para montar as peças de teatro. Elas não deixam, ficam receosas, têm uma preocupação que antes não existia. A linguagem é outra e nós precisamos entender essa linguagem deles, mas com limites, é claro. É preciso sempre haver uma conversa e determinar as regras, sem militarismo.
Você trabalhou um tempo nos Estados Unidos, com jovens e crianças. Que diferenças você destacaria entre o atual jovem norte americano e o brasileiro?
O carinho, a afetividade principalmente, o brincar, o fazer parte, tudo é diferente. Quando você promove uma atividade com as crianças americanas, só eles fazem, não te incluem como fazem as crianças brasileiras. Quando cheguei lá tive um treinamento pesado sobre assédio sexual, o que já demonstrou logo no início como eu deveria agir. O contato, olho no olho, é importante, mas eles não estão acostumados a isso. Têm bastante criatividade, são muito curiosos, inteligentes, rápidos e questionadores, mas não chegam perto, não interagem, é algo deles. Por outro lado, são crianças mais independentes, se viram melhor, são preparados para sair de casa cedo, bem diferente dos latinos.
Como você acha que a tecnologia, que nos Estados Unidos é utilizada há muito mais tempo, influencia nas características das crianças de lá?
Mil por cento. A tecnologia influencia muito. Nos Estados Unidos todos andam com máquinas descartáveis, tirou foto, pronto, acabou, só para registrar um momento. É uma relação diferente.
E como é trabalhar com essa geração no teatro? Eles possivelmente estão desacostumados à expressão corporal e a atividades de contato humano. Como desenvolver a criatividade desses jovens?
Mudou muito de fato. Eu costumo pedir a todos que tirem os sapatos para que sejam eles mesmos. Assim eu tento conhecer um pouco mais das pessoas, a partir do que elas querem me falar. Acho que através da conversa é possível estabelecer uma melhor relação com o jovem, mas no teatro é preciso desconstruir alguém para depois construir, por isso é importante escutar o jovem, entender sua criação, o que poucos fazem hoje em dia.
O que diria quanto ao autoconhecimento dessa turma?
O jovem de hoje não se conhece tanto. Todos tentam ser iguais, se vestir da mesma forma, não desenvolvem uma personalidade própria. Mas essa projeção geralmente não é nos pais e sim na televisão, no que está em alta na mídia.
As atividades que você realiza vão no sentido oposto às novas tecnologias, já que é um trabalho que envolve dança, atividades recreativas e teatro. Por que você acha importante que as crianças tenham essa vivência?
Acho que é preciso conhecer os dois lados, saber de onde vem a laranja, entender que não é do saco. As mídias sociais são maravilhosas para aproximar as pessoas, encontrar quem não se vê há muito tempo. Mas nada em excesso é positivo. Fazer com que isso substitua a vivência, o contato com os outros, está errado. É importante que as crianças valorizem o passado, entendam esse lado sem tecnologia.
Você trabalha com crianças, jovens e adultos de diversas idades. Qual a importância desse convívio com pessoas de diferentes gerações?
Acho essa integração perfeita e acredito que os dois lados precisam se abrir um pouco, entender que um pode aprender muito com o outro. As diferentes gerações juntas determinam o equilíbrio. Quando promovo atividades,sempre misturo diferentes idades, porque o pequeno pode saber respostas que o grande não sabe. Não há como crescer sozinho, essa união é enriquecedora.





Eu sou fã incondicional da Tuka e me orgulho de fazer parte ao Lado dela do quadro de colunistas do A&C.
o Brasil precisa de talentos assim para enfim ser um pais melhor como todos sonhamos.
Parabéns e beijos enormes do DJ Mynno
Mynno
Primeirão, hein!
Vc é um fofo!
O que dizer………………..obrigada pelas palavras e confiança, viu!
bj grande
Tuka
Em primeiro lugar parabéns à Foco pela linda entrevista através da Manuela.
A Tuka é ímpar, especial e pra mim é uma honra ter alguém com uma bagagem cultural tão rica como a dela no A&C (Sandra Cajado Arte & Cultura), como colunista do portal a cada quinze dias.
Tuka fala sobre a arte de representar, nos conta estórias e histórias vividas no mundo artístico.
A nossa geração é atacada muitas vezes com fontes erradas virtualmente, porém hoje eu acredito que isso vem mudando e através de objetivos como esse da Foco e outros portais culturais como o A&C e tantos outros do bem.
Tudo em dose certa é benéfico, porém em excesso causa danos.
Adoro aprender e me enriquecer por aqui, falar de gerações é falar do futuro do universo.
Portal de excelência é esse aqui, parabéns a todos pela linda geração de ducadores desse portal.
Com graça e admiração.
Sandra Cajado
Sandrinha,
Vc tem noção do que está me proporcionando…………..desde minha entrada no A&C?
Minha mãe tá toda-toda, não se aguentando em si! Tá toda orgulhosa da filhinha dela, hehe.
Obrigada pelo carinho e pelas palavras, viu!
Sinto-me honrada mesmo!
bj grande
Tuka
Grande querida Tuka, vi em tuas palavras uma nostalgia.
Uma nostalgia que carrego eu da minha infância. Para ter uma idéia, não tinha televisão na minha casa na infância. Não por falta de recursos, mas pelo meu pai que era muito conservador…
Eu tive uma infância bem diferente e hoje sei a diferença que isso fez na minha vida.
Tive contato com a natureza. Minha avó tem uma fazenda onde só se vê mato em volta. Algo maravilhoso mesmo…
Eu sei o que é arrancar a “cabeça do dedão do pé” todas as semanas no campinho de terra onde jogava bola todos os dias… Sim, eu soltava pipa, mas era no pasto. Lá no alto onde o vento corria forte. Foi muito bom.
Hoje não vejo nada mais do que disse aqui. Parece que nem existiu, o que é pena…
Parabéns pelo te lindo trabalho querida.
É um prazer enorme fazer parte da família SCA&C e tendo você como aliada.
Um abraço
Samuel Vigiano
Samuca
Só vc mesmo pra saber viajar na minha viagem. Viagem essa mais do que verdadeira e saudosa!
Obrigada pelo carinho e pelas palavras, viu!
bj grande
Tuka
Estou feliz de fazer parte da relacao de amizade da Tuka. Feliz tbem de conhece-la um pouco mais e descobrir a pessoa incrivel, pe no chao que ela eh.
Bjs Tuka
Rosangela
Oi Ro
Tá vendo só, nós artistas somos tudo, não é verdade!
Eu conhecendo sua arte e vc a minha!
Obrigada pelo carinho e atenção de sempre!
Adorei o que li, viu.
bj grande
Tuka
Parabens tuka!suas respostas dizem muito a respeito de seu trabalho, pautado na vontade de educar, com amor, com verdade, resgatando o que há de bom e valorozo na tradição e mesclando com o que há de novo sem perder o foco, que é o respeito ao educando, às suas necessidades, fazendo-o crescer, se conhecer, amadurecer e continuar a ter a vibração e a curiosidade de criança sempre!
Um grande beijo, Luciana Klar
Lu
Sou uma admiradora do seu trabalho. Há anos!
Quando vi vc por aqui, confesso que me arrepiei toda, ainda mais que vc conhece muito bem o meu trabalho e como eu trabalho!
Afinal, são mais de 15 anos nessa jornada. Aprendi muito com vc. Tenho muito o que aprender ainda, mas muito do que sei, devo a vc.
Tantas aventuras, conversas, brincadeiras, risadas, não é mesmo!
Taí uma educadora! Tive e tenho esse privilégio!
Obrigada pelo carinho e atenção de sempre.
bj grande
Tuka
TUKA…
QUANDO PENSO QUE TE CARREGUEI NO COLO.. E QUE HOJE VOCE CARREGA O MUNDO NAS COSTAS, BATALHANDO E LUTANDO PARA QUE AS CRIANCAS CRESCAM COM ALEGRIA, SAUDE, AMOR E EDUCACAO .
VOCE EH MARAVILHOSA E TENHO MUITO ORGULHO DE VOCE E DO SEU TRABALHO. E SEI QUE FARA MUITO MAIS. AINDA BEM QUE O NOSSO BRASIL TEM PESSOAS COMO VOCE.
NAO DESANIME E CONTINUE LUTANDO PELOS SEUS IDEAIS.
TE AMO MUIIIIIIIITO. BISOUS, VA
Va
O que te dizer…………………vc realmente me conhece!
E como eu me lembro de vc me girando no trabalho, me jogando pra cima………..êêêê…..bons tempos!
Tá vendo, sua Tukinha aqui cresceu, né!
E vc acompanhou tudo!
VOLTA LOGO, CHERRIE
BISOUS
Tuka
OI TU, amei a entrevista viu.
Concordo 100% com tudo. Muito bom ter contato com o conteúdo de pessoas com essa bagagem para a cada dia aprendermos mais. Realmente essa rápida evolução tecnológica, esse pulo mundial infelizmente faz com que as crianças PULEM etapas muito importantes de suas vidas e que gera reflexos bastante negativos na vida atual e futura de quem irá fazer com que o mundo funcione daqui alguns anos. E pessoas como a VOCÊ que tem contato próximo com as crianças e possuem essa visão que valoriza a necessidade de colocar o Pé No Chão literalmente, de não ter medo de sujar o moleton ou molhar o cabelo quando você tem 11 anos e está em um acampamento . Valores que só tendem a agregar na vida particular e em conjunto dessas crianças! A cada dia as pessoas se tornam mais individualistas e o contato mais distantes do mundo real, o que tende a levar o mundo a procriar pessoas alienadas dentro de uma cultura totalmente mergulhada na Indústria Cultural e que mantém uma convivência tão distante se tornando 99,99% virtual . É CLARO que a tecnologia traz muita coisa BOA também , parte de nós seres humanos saber lidar com ela da forma correta. O que é a forma correta??? Não sei ao certo mas sem dúvida o equilíbrio seria um grande passo. Para mim NADA substitui a minha infancia,e acredito que para você também.
Se fosse possível escolher entre voltar no tempo ou ter a oportunidade de decidir quais serão as cores dos olhos e cabelos do meu filho(a) eu sem dúvida alguma ia escolher a época em que o comercial do OMO fazia sentido para crianças de até 14 anos. TUKA parabéns Bjs Dé
Oi Tuka,
Parabéns pela entrevista, gostei muito. Acho que Jairo e eu dão uma educação um pouco entre a Europeia e a Brasileira (independência, pouca tv e computador, mais com carinho).
Espero te ver um desses dias lá no clube.
Beijos, Vivien Hertogh
Querida Tuka
É disso que o mundo precisa… De pessoas como você!
Que tratam com tanto carinho um tema tão enraizado nas gerações precoces.
Cuidar de nossas crianças é mais que preciso!!!!!
Sua entrevista me alertou ainda mais.
Lindo trabalho!
Abraços e Sucesso