
Por Renato Andrade e Tatiana Kielberman
Não são raros os momentos em que sentimos grande desejo de mudar o mundo e as pessoas, oferecendo um novo tom à realidade que, para nós Ys, se mostra às vezes um tanto cinza. Assistimos às manifestações de jovens da nossa faixa etária tentando encontrar seu lugar no tempo e no espaço, principalmente quando não recebemos o devido apoio dentro de casa ou na escola. Apenas um detalhe: isso é mais comum do que se imagina e se relata.
Porém, ainda que haja imensa iniciativa da nossa geração para revolucionar certos processos, percebemos em alguns instantes muitas vozes soltas, correndo pelo ar. É como se tivéssemos diversos propósitos, idéias, opiniões, mas ao mesmo tempo não conseguíssemos unir essas vontades em uma única voz.
É claro que temos certas características em comum, fomos educados em uma mesma época e mediante um determinado contexto social, mas valores como o individualismo e a não-percepção diante do outro parecem imperar como forças brutais nos valores da atualidade, fazendo com que nossas palavras entrem em desacordo e não consigam entoar uma única canção.
Vocês podem se perguntar: qual seria a vantagem de descobrirmos a nossa voz? O mundo não insiste em nos ensinar que precisamos ser os melhores talentos, mesmo que isso nos custe saúde, dinheiro e estrutura emocional?
Sim, necessitamos de cada uma de nossas características individuais para vencer. Porém, é preciso também que entoemos esse grito único, pronto para ser exposto ao ambiente e transmitido às próximas gerações de forma consolidada, madura, fiel à história e aos princípios que nos foram ensinados ao longo do tempo.
Qual seria, então, esse grito? Qual é a voz da nossa geração?
Acreditamos que o grande grito seja, na verdade, a união dessas muitas e diferentes vozes. É o saber interpretar o momento do outro, agir com fraternidade, além de compreender as diferenças sócio-culturais entre os indivíduos, levando o preconceito à extinção. O mundo tem mudado de forma bastante veloz e, com isso, a cultura também se modifica; portanto, não podemos nos manter presos a tabus sem manifestar a vontade de quebrá-los dia após dia.
Para que esse grito seja ecoado, deve entrar em cena a tão necessária troca de idéias e opiniões entre os indivíduos, que finalmente una as gerações em um só caminho, jamais linear, porém leal e coerente.
Precisamos sempre relembrar essa vontade de gritar, pois se a palavra já é grito, é porque um dia já foi sussurro – passou pela metamorfose e se transformou em algo sólido para ser dividido.
E você, com qual sussurro vai compartilhar para o grande grito da humanidade?





Primeiro, quero parabenizar o excelente texto com um tema tão importante que é a geração de hoje, sem deixar de citar as gerações passadas também.
O que mais me encanta são exatamente as quebras de paradigmas que nossos jovens vêm alcançando hoje.
Creio eu também que a luta contra o preconceito vem ganhando proporções positivas ao longo do tempo, e os jovens hoje estão mais bem preparados do que os de ontem pra encarar certas dificuldades.
Gritos vindos de todas as partes e ecoando num só propósito, embora a desigualdade social ainda pese muito na balança e nem todos tenham a força devida pra dar seu grito de liberdade.
Muito bom o tema, parabéns.
Obrigada pelo comentário, Sandrinha!
Beeijos!