
Por Manuela Mesquita
Dia de jogo do Brasil na Copa do Mundo é incomparável neste nosso país, até o tempo parece estar melhor, o sol sorrindo, as pessoas felizes, todos parecem estar mais amigáveis, de bem com a vida.
Sempre foi assim, desde a minha mais antiga recordação de Copa (que é a de 94), lembro de nos prepararmos para essa ocasião tão marcante.
Os tempos mudam, a tecnologia evolui,trocam-se as gerações, mas esse espírito, de confraternização e festa, em nada se altera no Brasil. E entender isso também é uma forma de entender as características do brasileiro.
Podemos tentar falar sobre a atual realidade dos jovens buscando referências nos Estados Unidos, na Europa ou onde quer que seja, mas só vivendo aqui, captando esse universo, para perceber que isso é impossível, pois apesar de um pouco escondida, temos sim uma identidade nacional, um calor humano, um típico jeitinho brasileiro que, por mais globalizados que estejamos (e acreditem, estamos), não perderemos tão cedo.
Críticas e desabafos à parte (também sabemos que o Brasil supervaloriza esse evento), o fato é que hoje é um dia marcante para todos, e que foge à questão das gerações. Esse é um dos únicos eventos que continua igual, as tradições se repetem por anos, as comemorações se mantêm e parecem estar acima de qualquer influência da evolução dos tempos.
No entanto, quando eu era mais nova, lembro das pessoas dizendo que o Brasil valorizava tanto a Copa, pois era o único momento em que tínhamos visibilidade, em que éramos bons e podíamos brigar de igual para igual com os países do primeiro mundo.
Hoje, quero registrar, que pelo menos este ano, de 2010, não é esse o nosso sentimento, não é isso que está na cabeça do jovem atual. Nosso sentimento é de que estamos bem, obrigado, mas queremos mais, porque ganhar a Copa é importante para nós, e não porque precisamos de reconhecimento, de olhos voltados para cá, mas porque somos brasileiros, ainda temos o estigma do país do futebol, mas com o gostinho (e luxo!), mesmo que talvez um pouco ilusório, de estarmos na moda.
A comemoração, o ritual, não mudam, mas o pensamento é outro, a mentalidade também. Estamos na crista da onda e isso também interfere na nossa autoestima, no nosso comportamento. Principalmente do jovem, a maior parte da população, para quem ser país apenas de referência no futebol é uma lembrança de outros tempos.





Muito interessante dou meus parabéns…