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No começo do mês tive a oportunidade de reencontrar no metrô um professor do ensino fundamental. Fui surpreendido com um tapinha carinhoso nas costas e os parabéns por ter um livro em mãos.

Depois de relatarmos quais destinos tinham tomado nossas vidas, voltamos ao assunto dos livros.

Perguntei como era o aluno de hoje com relação à leitura em uma escola pública e meu professor informou que o jovem está lendo, mas é mais atento a ficção: Harry Potter e Crepúsculo são praticamente obrigatórios para a nova geração. O meu antigo tutor reclamou da falta de leitura mais técnica: “E os grandes filósofos? Grandes autores brasileiros? Ninguém tem conhecimento. Jornais são praticamente descartados.”

Confidenciei que o hábito de ler livros no formato de papel diminuiu em minha vida, já que trabalho com internet e a minha leitura passou a ser 90% digital: livros digitais, reportagens, manuais, biografias, tutoriais… mas que isso não indicava uma falta de leitura, pelo contrário.

Meu professor fez uma pausa, não compreendeu.
Começou aí uma troca de ideias sobre a leitura de duas gerações distintas.

Expliquei que muitos livros estavam agora em versão digital, os e-books, além de tudo o que se lê da própria tela. Naquele momento meu papel foi tentar provar que a web, pelo menos, pode ser uma aliada.

Já pensou na quantidade que se lê por dia na internet?
Não daria muito mais do que uma revista?

Sempre recebo notícias de que livros clássicos estão liberados na versão digital. O Ipad, um dos objetos tecnológicos mais cobiçados pela geração Y, em minha opinião, vai proporcionar o contato com diversas obras esquecidas nas estantes.

Uma curiosidade é que o Instituto Pró-Livro revelou uma pesquisa sobre leitura no Brasil e informou que está crescendo o hábito entre jovens no país.

A maioria dos que foram ouvidos afirmaram ler desde a Bíblia, até Monteiro Lobato, Paulo Coelho, Jorge Amado ou Machado de Assis, e títulos de ficção. De acordo com a presidente do Instituto Pró-Livro, os dados apontam que o brasileiro está definitivamente incorporando o hábito da leitura, o que se deve à universalização da educação e aos avanços do Brasil.

Rupert Murdoch, dono de títulos como Wall Street Journal e The Times, declarou em entrevista em 2009 que o jovem está lendo mais, mas está saindo da realidade do papel e tinta.

Outro aspecto interessante para educadores da “velha guarda” é o resultado da pesquisa do Instituto Pró-Livro de 2008, que aponta que mais da metade dos jovens entre 11 e 24 anos lêem com o som ligado. O índice é maior entre 14 e 17 anos.

Meu antigo professor comentou que as bibliotecas, com a regra de silêncio absoluto, afastam os novos leitores e que realmente a geração Y possui uma “ânsia por conhecimento”, pois se não estiver com um aparelho digital ligado ficam com a sensação de que alguma coisa está acontecendo e eles estão perdendo!

Pois é professor, a forma de ensinar está ultrapassada, afirmei.
Ele foi contra, disse que o problema está no aluno, que não consegue viver sem tecnologia. Lembrei de educadores que utilizaram outras técnicas para repassar o conhecimento, mas ele foi resistente. Reconheceu a riqueza dos meios tecnológicos, mas reclamou dos inúmeros trabalhos feitos por cópias da internet.

Era um papo descontraído, entre dois camaradas.

Descendo do vagão, meu professor desejou sorte em minha vida e comentou: “A tecnologia esta aí, mas nada substitui a delícia de folhear um livro ou um jornal no domingo de manhã”.

Qual a sua opinião?
As pessoas estão lendo menos ou o que mudou foi a forma de obter informações?

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3 Responses to “O jovem brasileiro está lendo menos?”

  1. Renato, no início do texto eu tinha a certeza de que iria discordar de você, mas depois vi que ambos discordamos em parte do seu professor, rsrsrs.

    Também acho que atualmente lê-se mais do que antigamente. Na verdade, a leitura passou a ser dirigida aos temas de maior interesse individual, graças a internet.

    Vou confessar aqui que praticamente perdi o gosto pela leitura quando me obrigaram a ler na escola “Memórias póstumas de Brás Cubas”. Respeito a opinião de cada um, mas esse livro foi para mim a pior leitura que havia feito em minha idade escolar, um verdadeiro castigo. Daí minha pergunta: ler não deveria ser algo prazeroso? Se a escola deve promover o gosto pela leitura não deveria oferecer as opções aos alunos para que selecionem as obras que tenham maior relação com seu perfil? Li muitos livros na escola, mas nem de perto li todas as obras relacionadas no conteúdo dos vestibulares. Já que não dá para ler todos, não poderia ter substituído as literaturas desinteressantes e estafantes por outras mais relacionadas ao meu estilo?

    Independente disso, acho mesmo que as gerações estão lendo mais, inclusive com o apoio da linha Harry Porter, Crepúsculo, e outros trabalhos que como já sugerí, têm um conteúdo que atinge melhor o interesse das pessoas ao invés dos antigos clássicos de nossa literatura.

    Grande abraço!
    Adriano Berger

  2. Anderson disse:

    Li o post e gostei, mas acho que as pessoas estão lendo mal, não sei se mais, ou se menos. Vejo isso pelo que meus alunos escrevem. Estudei em escolas públicas e vejo que meus piores colegas (os que não estudavam ou liam pouco) escreviam melhor do que “a média” de hoje!

  3. Amanha dia 12 de Agosto de 2010 as 08:00hs da manha, teremos uma entrevista na Rádio Tropical AM 1320 – Curitiba – Paraná, sobre LITERATURA, O QUE AS PESSOAS ESTÃO LENDO HOJE, com Tomás Barreiros. Programa Carlos Simões das 07:00hs as 09:00hs de segunda a sexta feira.
    Pela web http://www.tropicalam1320.com.br/radio.html
    Curitiba- Paraná- Rádio Tropical AM 1320 (41) 3266 1320

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