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Por Mauro Segura

Escrevi uma história simples e prática, que acontece quase todos os dias nas empresas e resume o que muitas vezes falamos por aqui em tantas palavras:

Pimentel, presidente da XYZ, chamou o gerente de RH e o gerente de comunicação para uma reunião.

- Olha só, precisamos modernizar a empresa. Minha filha disse que a XYZ é muito careta.

Pimentel pegou um jornal e apontou para uma enorme matéria sobre a geração Y.
- Preciso falar com essa nova geração.

O gerente de comunicação abriu um sorriso e sussurrou:
- Vamos lançar um blog…

Pimentel interrompeu o devaneio:
- Que blog que nada. Não vamos colocar a empresa sob risco. Vamos criar o “casual day”. Na sexta-feira todos poderão vir mais a vontade.

Dessa vez foi a vez do gerente de RH sorrir.
- Vamos liberar o jeans e tênis.

Pimentel reagiu:
- Calça jeans com joelho rasgado? Nem pensar. Tem que ser calça de tergal.

O gerente de RH tentou:
- E se a gente formasse um grupo para pensar o que for melhor? Poderíamos até chamar alguns jovens para participar do grupo de elaboração das mudanças e…

Pimentel, batendo com a ponta da caneta no polido tampo da mesa de mármore, interrompeu:
- Não precisamos disso. Para que tirar o pessoal do trabalho? Ainda mais que vão aparecer ideias que não vão ser boas para a empresa. Anota aí. Toda sexta-feira será o “casual day” com calça de tergal e camisa de botão.

E olhando para o gerente de comunicação:
- Pode divulgar amanhã?


Calça de tergal… essa eu peguei pesado. Alguém sabe aí do que se trata?
Ironias a parte, ainda tem muitos Pimentéis por aí, né?

Vale pensar se quando “damos ouvidos” à geração Y, estamos fazendo isso da forma como deve ser, sem fingir que estamos provocamos mudanças sem qualquer fundamento.

Algo a declarar?

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