
Por Eline Kullock
Antigamente, quando eu era criança, nós lutávamos para nos sentirmos amados pelos nossos pais. É claro que a cobrança em relação à performance na escola era maior, mas tínhamos que provar que éramos capazes de alcançar suas expectativas.
Na escola, nas aulas de Inglês, no ballet, na natação e onde mais estivéssemos.
O sentimento de culpa quando recebíamos uma bronca era enoooorme.
- Pronto! Fizemos alguma coisa errada e perdemos este amor tão desejado!
- Eles gostam mais do meu irmão do que de mim!
- Eles saíram para viajar! Não me amam mais!
Esses eram nossos sentimentos e frustrações. Claro que fazíamos as nossas transgressões, mas elas eram pequenas.
E, se, por algum motivo, eles fossem chamados na escola para conversar sobre nosso comportamento? Ficávamos assustados e com medo da perda de privilégios ou dos castigos que iríamos receber. O amor dos nossos pais era essencial.
Hoje, parece que a situação se inverteu um pouco. Somos nós que precisamos do amor dos nossos filhos! Se dermos uma bronca maior, um castigo, parece que nós estamos perdendo o amor deles.
Somos, então, ridículos, sem noção, caretas (esse termo nem mais é usado), dinossauros, não os entendemos e eles ficam zangados conosco!
Somos reféns de nossos filhos! Precisamos da aceitação deles. Estamos inseguros com esse amor? Com a nossa capacidade e maturidade para criá-los nessa nova era da geração Y?
Se eu tirasse 9,5 numa prova em que o total fosse 10, minha mãe me perguntava onde e por que eu tinha errado uma questão! Hoje, se nossos filhos passam de ano, nós agradecemos a Deus.
Como se deu esta mudança tão forte e tão abrupta? De que temos medo, afinal?
Acho que os pais precisam refletir sobre esta questão e encontrar, na sua própria vida, as respostas. Provavelmente elas nos servirão para outras várias dúvidas sobre nossos medos na vida cotidiana.




