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Por Eline Kullock

Vira e mexe a gente se pega criticando a geração Y por dizer o que pensa sem medir as conseqüências.

Eles falam, mudam de opinião, não se importam a quem irão ferir ou qual empresa podem atingir.

E nós os criticamos e os catequizamos quando entram nas organizações. Claramente, abduzimos esses jovens.

Talvez quando passam a fazer parte de nossas equipes nem sejam mais as cabeças brilhantes que contratamos, porque já estão no terno e na gravata, na camisa de força da organização que, ao mesmo tempo em que quer a mudança, não aceita quebrar padrões, não está preparada para críticas, para as exigências de rapidez, para não dizer “na lata” a célebre frase: “o rei está nu”.

Confessar que o rei está nu só é possível à criança, ainda não abduzida, ainda não cerceada e sem os limites do que pode ou não dizer.

Quando os trainees ou estagiários começam numa empresa, normalmente, querem se sentir parte dela e aceitam a camisa de força, o terno, as convenções estabelecidas pelo ambiente corporativo.

É mais tarde que eles entendem que aquele “modelito” não lhes pertence. Percebem que abriram mão de suas identidades para incorporar o personagem desejado pelas organizações.

É nesse momento que se dá a frustração e surge o conflito. Eles querem se despir das convenções de ternos e meias sociais, querem falar, querem dizer o que pensam, querem criticar seus chefes, o modelo de gestão, mas estão engessados pelo sistema.

Nós temos inveja da audácia que possuem, daquela original, sem a camisa de força. Temos inveja quando eles colocam o dedo na cara dos seus chefes, dizendo que não aceitam ser tratados como crianças nem enganados por um modelo de lavagem cerebral sobre o quanto aquela forma de gestão ou aquelas decisões são as melhores para a organização e para o mundo.

Nós também queremos cada vez mais ser livres pra dizer o que pensamos. Por isso educamos nossos filhos dessa forma, pois estamos fartos de um Brasil da Ditadura, da censura, da crítica velada.

E cada vez que essa geração se mostra mais autêntica, mais nos sentimos confusos sobre a lavagem cerebral que recebemos e queremos repassar.

Que modelo, afinal, queremos viver? O da repressão? Mas é uma repressão que, teoricamente, nos dá a ordem. Se todos falassem e decidissem, o processo decisório da organização seria caótico. Todo processo democrático é mais lento, porque exige a consulta a todos os envolvidos, exige que escutemos a todos.

Percebo que os profissionais estão muito estressados e pouco felizes nas suas empresas. A camisa de força, o concordar com as políticas internas sem poder questioná-las, em contraste com uma geração que se propõe a questionar tudo, nos confunde.

A Geração X, mais acostumada a questionamentos, sente-se como irmã mais velha em casa, onde precisam obedecer a ordens dos pais com as quais nem sempre concordam e, ainda por cima, convencer os mais novos (a geração Y) a fazerem o mesmo.

Este é o verdadeiro choque de gerações.

E aí vai meu conselho para as organizações e para os jovens da Geração Y: não usem a camisa de força. Vocês perderão o melhor dos recursos que queriam dentro das empresas.

Jovens, não aceitem a camisa de força do jeito que ela vier. Você vai se frustrar se a organização, passado o momento da “paixão”, não te permitir dizer o que pensa e contribuir com inovações.

E aí, a paixão não vira amor. E talvez por isso a rotatividade das organizações tenha aumentado. É tudo uma questão de expectativa e realidade.

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3 Responses to “Nós temos inveja da Geração Y?”

  1. Guilherme disse:

    Gostaria de lhe tranquilizar dizendo que há muitos jovens da Gen Y que apesar de usarem as camisas de força (sem a gravata rs!) ainda possuem a mesma ousadia de antes e não são contaminados pela névoa venenosa corporativa : )
    Vejo em minha organização, pessoas da geração X apontando o dedo devido as minhas atitudes ousadas. De algum modo, percebo que isso é inveja, pois a Gen Y é muito mais assertiva, sabendo comportar-se com as regras existentes mas ao mesmo tempo ousar do seu modo original, quebrando paradigmas e sendo considerado o diferente.

    Aqui costumo dizer: Enquanto a minha “loucura” dar certo, continuarei sendo este ‘louco’.
    Disse isso após um gen x dizer: “Vc ainda tem muito o que aprender”.
    Engraçado, ele é 10 anos mais velho e já estou na mesma posição que ele.

  2. Edson disse:

    Click,,,, a tampa do meu cerebro explodiu…
    é exatamente isso que vejo e sinto todos os dias…
    Processos engessados, elaborados há sabe se lá quanto tempo e que jamais podem ser desobedecidos ou alterados,, não se pode otimizar, facilitar e alterar as coisas…

  3. Eline Kullock disse:

    Guilherme e Edson,
    Obrigada por suas considerações!
    Visitem o blog sempre que puderem.
    Beijo,
    Eline

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