
Por Clara Zaiantchik
Como toda boa baby boomer, gosto muito de recordar aqueles momentos que, por um motivo ou outro, não voltam mais. Sonhos de infância, devaneios de uma adolescência sem fim e a tão esperada transformação para a vida adulta – quanta esperança, quantos desejos, tantos ideais!
Acredito que cada um tenha, dentro de si, lembranças que funcionam como um redemoinho para seus corações – muitas vezes, a jornada parece difícil, complicada e cerceada por picuinhas, mas ao recordarmos uma época incrível qualquer vivida no passado tudo passa a fazer mais sentido e conseguimos ir em frente.
Quando me lembro de meus pais, por exemplo, grandes ensinamentos vêm à tona… Lições que norteiam minhas atitudes cotidianas e firmam um caminho calcado em princípios. Lembro-me de como eles lutavam para transmitir sua bagagem, desejando que certos valores permanecessem vivos para sempre.
Infelizmente, não vejo hoje na geração Y esse mesmo fenômeno. Assisto a poucos deles querendo realmente saber do passado para entender suas origens ou reavivar a memória para que ela sirva como impulso na direção de ações futuras. Isso interfere diretamente no desenvolvimento desses jovens, pois olhando apenas para o presente não conseguem ter a dimensão do impacto que cada mudança realizada por eles causa em si mesmos e nos demais.
Costumo dizer que, antigamente, olhávamos para o passado como um espelho que gerava a percepção sobre nossas ações. Hoje, o espelho do jovem é o futuro – mesmo que algumas facetas ainda estejam incompletas… mesmo que ele ainda não conheça a sua própria imagem.
No papel de pais, devemos alertar a geração Y sobre o risco de se olhar apenas para frente, sem nos esquecermos de que os avanços são importantes, mas tendo o limite e o exemplo como grandes aliados sempre.





Olá querida tia Clara!
Primeiro gostaria de elogiar seu texto, achei-o muito bonito, de uma simplicidade tocante!
Apesar do mote ser muito profundo, suas palavras me pareceram certeiras, como um grande reflexo expresso numa frágil superfície d’água!
Creio que a dificuldade que a minha geração encontra para desvendar o passado está nos segredos que permeiam a nossa existência, não é que não queremos saber do passado, como as coisas funcionavam antes, vejo muito que não há tempo nem espaço para o diálogo do antigo (pais, chefes, educadores) com o novo, de explicar como era antes, o que aconteceu para mudar, como é agora, como chegou ao ponto atual.
A pressa com que temos que aprender tudo também conta contra nosso aprendizado de coisas antigas; além de mal termos tempo para assimilar (e criticar) o antigo para entender o que raios o novo está fazendo agora!
Por base nas pessoas mais próximas a mim, minha família por exemplo, penso que eles me deixaram solta, meio sem guias, pq acharam que eu aprenderia tudo sozinha, ou que eu já sabia, já que eu era tão inteligente! Mas eles não previam que um bombardeio de informações chegaria em breve ao mundo, principalmente com a internet e a mobilidade tão fácil, e que seria um pouco mais complicado filtrar o que seria bom ou não pra mim.
Afinal de contas, temos uma capacidade ilimitada para aprender, mas para prestar atenção… Vixi, esta cabe na palma da mão.
Pode ser que não tenhamos interesse em saber o passado e apenas vejamos o futuro, mas é porque apenas ele aparece como um “pop-up” na nossa tela, inclusive a mental.
Um grande beijo, da sua eterna admiradora de leitura e culinária.
Fê
Fê, minha querida!
Concordo com você em gênero, número e grau!
Agradeço demais por deixar sua contribuição, saiba que você é uma menina de ouro e eu te admiro muito!
Você é um exemplo para a geração Y!
Um beijo carinhoso!