
Por Eline Kullock
Acompanhamos pela imprensa na semana passada o encaminhamento para o Congresso do projeto de lei que especifica que não se pode bater numa criança.
Hoje, a palmada é usada de forma aleatória, mas todos os educadores (sejam pais ou professores) sabem que ela não é a melhor maneira de educar. Não estamos falando em adestramento de animais. Estamos falando de pessoas.
É fundamental nessa questão o entendimento da autoridade que escolas e pais têm sobre seus filhos.
Com os afazeres do cotidiano, o stress, o trabalho de cerca de 12 horas por dia, os pais têm sentido mais dificuldade em lidar com seus filhos, ávidos por transgredir ( ver post: Limites, pra que te quero! , ávidos por viver a vida.
Não bater não significa, em absoluto, faltar com limites. É muito mais difícil e bonito educar sem bater nos tempos atuais, em que a Geração Y ou a geração questionadora, como eu chamo, se sente em certo “pé de igualdade” para questionar qualquer coisa que lhe é imposta.
E a gente não aprendeu a responder por que. Na nossa educação, nem ousávamos questionar.
Por que eu não posso comer bala antes do jantar se eu prometer que como tudo? Por que preciso ir dormir às 22 horas se garanto que estarei de pé para a escola? Por que não posso brincar com esse aparelho se eu prometo não quebrar?
E então temos um desgaste enorme argumentando, refletindo sobre uma determinada questão, tentando definir nossa autoridade pelo tom de voz (sem necessariamente gritar!) e impondo respeito pela mão que ensina, não pela que bate.
O castigo quando as normas não são cumpridas terão de ser muito bem pensados, pra que não gere raiva, muito menos o sentimento de desamor, a revolta, que não educa e não cria nossos filhos.
Educar nos dias de hoje é muito mais complexo. Requer mais tempo de fato dedicado aos filhos. Cabe-nos o dever de prepará-los para um mundo mais complexo, de muita argumentação, de network, de relações matriciais, onde todos dependem de todos.
A criança precisa exercitar essa forma de conversa, precisa aprender a buscar argumentos, batalhar por eles quando fazem sentido, ser estimulada à reflexão, a ouvir uma contra-posição e aprender a aceitá-la.
Educar não é fácil. Mas quem disse que seria?




