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Por Renato Andrade

Ontem, dia 28/07, aconteceu mais uma edição do #lingerieday, uma brincadeira semestral em que os participantes do Twitter trocam o avatar usual para revelar fotos da própria pessoa, evidentemente, sem pudor e com a sua melhor imagem de “roupa de baixo”.

O evento aconteceu na mesma semana em que foi discutido sobre como as gerações expõe a vida na web, sem lembrar que a internet é uma grande biblioteca e tudo o que é publicado fica arquivado em algum lugar, um grande recurso tecnológico.

Lembrei da febre fotolog que, em minha opinião, foi o serviço que preparou o brasileiro para o narcisismo que teria sua explosão nos próximos anos, no Twitter e no Facebook.

No fotolog encontrávamos galerias de imagens de grupos de amigos embriagados, fumantes exibicionistas e adolescentes brincando da versão on-line do programa da MTV “NA REAL”, onde sexualidade, loucurinhas e rock n’ roll eram o destaque.

A geração X entrou na internet com algumas regras de conduta, jamais entravam em chat com o próprio nome, trocar fotos pessoais era praticamente proibido e jamais passar dados pessoais. Esta mesma geração transgrediu e entrou de cabeça no mundo do fotolog. As imagens ainda estão lá, mas atualmente o serviço não faz tanto sucesso em terras tupiniquins.

Chegou o Orkut, e os brasileiros, sem entender o serviço ou o inglês, publicavam declarações de amigos com fofocas íntimas, xingamentos e dados pessoais.

A falta de instrução com a inclusão digital não é resposta para o show de horrores do Orkut, existem pessoas famosas e bem educadas que estão em destaque na web por gafes virtuais ainda hoje. Famosos publicando para seus seguidores o número do celular, desabafos entre celebridades e problemas de declarações de estagiários e diretores em microblogs.

Atualmente a mídia ataca vorazmente a geração Y que declara momentos íntimos em 140 caracteres. Psicólogos declaram que “os ‘nativos digitais’ não têm maturidade emocional para avaliar o que pode ser exposto ou não”; um estudo feito pela Safernet Brasil informa que 79% dos brasileiros de oito a dezessete anos já tiveram experiências negativas on-line… e assim caminha a humanidade atual, com mais de cinqüenta milhões de “tweets” publicados por dia, entre muitas porcarias declaradas!

Acho que é um caminho sem volta, indiferentemente da geração ou classe social, afinal, é o próprio internauta que busca e vai atrás de entrar em contato com determinado grupo social, querendo trocar experiências.

O ser humano quer ser ouvido, quer expor sua opinião, quer receber um elogio e através disso criar novos elos sociais. Diferentemente do que foi profetizado por estudiosos de outras épocas, a internet está unindo as pessoas.

Utilizando uma frase do famoso @interney: “Não conheço ninguém que depois da internet tenha ficado com menos amigos”. A internet virou uma ponte para unir iguais e isto é ótimo!

Sou um rapaz liberal, sou a favor da liberdade de expressão e não sou considerado “careta” no meu círculo social, mas será que não existe um pouco de exagero (narcisismo e um pouco de desespero por atenção) em mostrar para meus familiares, amigos de escola, contatos de trabalho e amigos virtuais espalhados pelo mundo a sua última peça íntima?

Acredito que os internautas, os leitores e qualquer um que venha a ler esse texto, poderiam pensar sobre utilizar as ferramentas de web para coisas construtivas: agitar um grupo para ajudar animais de rua, criar um flashmob contra a violência, publicar fotos de momentos incríveis que teve sorte de vivenciar e espalhar pelo mundo momentos sadios…

Já pensou daqui alguns anos seu filho encontrar suas fotos de juventude despudorada na internet do futuro, qual seria sua explicação?

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2 Responses to “Narcisismo, Mídias Sociais e as Gerações”

  1. Rê, meu querido!
    Amo seus textos cada vez mais, pois você consegue ser irreverente e, ao mesmo tempo, falar de temas super importantes para reflexão na atualidade!
    Realmente o #lingerieday é um fenômeno que não pode passar em branco aos nossos olhos!
    Belíssima explanação!
    Um beijo da fã….

  2. Rafa Borges disse:

    Olá! Mais uma fã para a lista! Rsrs…
    Gostei muito da abordagem e acredito que haja necessidade de haverem mais discussões desse tipo sobre os fenômenos dos grupos sociais, afim de promover uma maior reflexão sobre as atitudes tomadas por nós, internautas.
    Abraços,
    Rafaela Borges

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