
Por Aart Bontekoning e Marieke Grondstra
“Os jovens não mudarão o trabalho; o trabalho é que mudará os jovens” é o título de um recente artigo do Andrew McAfee na Harvard Business Review. Ele iniciou uma interessante discussão e gostaríamos de voltar nossa atenção um pouco a este assunto.
Nos últimos 10 anos, nossa pesquisa se focou no impacto que as novas gerações possuem na cultura organizacional em empresas holandesas. O estudo da literatura existente sobre gerações nos últimos dois séculos mostrou que criamos gerações simplesmente por uma razão de sobrevivência: para estimular a evolução dos sistemas sociais, tais como as empresas.
Uma pesquisa realizada em aproximadamente cem companhias holandesas mostrou que a geração nascida entre 1970 e 1985 perdeu a energia no trabalho e o entusiasmo quando se viu “forçada”, pelas gerações mais velhas, a lidar com meios de trabalho que poderiam ser considerados, instintivamente, fora de moda. Portanto, o foco dessa geração, especificamente, está em acelerar os processos de aprendizagem ao mesmo tempo em que trabalham, reinventando algumas condutas como, por exemplo, as tomadas de decisões.
Por outro lado, na última década essa geração se adaptou quase inteiramente aos processos “lentos” e fora de moda. Contra a sua vontade, mas também contra a vontade das gerações mais velhas. A razão para este fenômeno ainda é indeterminado, mas estamos próximos a revelar o mistério.
Será que a geração Y holandesa (1985-2000), também chamada de Geração Einstein, conseguirá se adaptar aos hábitos e costumes organizacionais, que eles consideram tão fora de moda? Isso ainda é uma grande incerteza.
De alguma maneira, acreditamos que eles não conseguirão e há três razões para esta crença.
A primeira é que nenhuma outra geração recebeu tanta atenção como esta. Portanto, as gerações anteriores sabem relativamente muito a respeito deles. Fora isso, percebemos, ao trabalhar com alguns grupos dessa geração, que eles são abertos a opinião dos outros, mas apresentam uma forte tendência a serem autênticos em tudo o que fazem. A terceira é que em muitas empresas está ocorrendo um processo de conscientização constante, além da necessidade de mudança, principalmente no âmbito social. Eles são curiosos pela integração entre diferentes gerações e estão desejando explorar as diversas possibilidades existentes.
Mas, o processo de inovação da cultura organizacional só pode ocorrer se as gerações mais velhas se abrirem a este movimento e apoiarem ativamente esses jovens.
Se Andrew McFee encontrasse empresas em que o impacto da geração Y é mínimo, nós o aconselharíamos a apertar o alarme, mas diríamos a ele que tocasse bem alto, porque essas empresas estariam completamente ultrapassadas.
*Aart Bontekoning é psicólogo, especialista em processos estratégicos e desenvolvimento organizacional. Supervisiona workshops de metodologia em gerenciamento e investiga a cultura organizacional. Desde 2000 iniciou uma pesquisa sobre a influência das gerações no desenvolvimento das empresas. Marieke Grondstra é Conselheira Junior na Berckeley Square e estuda gerações junto a Bontekoning.




