
Por Clara Zaiantchik
Sempre prezei muito o contato com meus filhos e seus amigos, acho interessante observar as conversas entre eles, que vão de assuntos da universidade aos conflitos dentro e fora de casa. Isso acaba se tornando um grande laboratório para entender como pensam essas criaturinhas que estão prestes a liderar o mundo.
O que me chama atenção nesses momentos de conversa é, não só a rapidez com que os jovens mudam de assunto, mas também o desapego que têm em relação a certas questões cotidianas. Um dia, perguntei à minha filha: “Como está aquela sua amiga que você via sempre e com quem brigou na semana passada? Vocês têm se visto?” ao que ela me respondeu: “Claro, mãe! Brigamos naquele momento apenas, eu já nem me lembro o que aconteceu. Minutos depois, já ficou tudo bem!”.
Da mesma maneira, em outro momento, perguntei: “Filha, e aquele seu colega de faculdade, de quem você era tão próxima nos primeiros anos de graduação?” (ela já está no último semestre da universidade), e a resposta veio da seguinte forma: “Ainda nos falamos de vez em quando, mãe, mas foi só um coleguismo passageiro. Ele não era um amigo de verdade.”
Nada impede que minha filha volte a falar com a amiga, minutos depois de terem brigado feio, nem mesmo que se distancie de um colega ao qual era próxima nos primeiros anos universitários. Porém, tais situações me remetem ao filme “Como se fosse a primeira vez”, com Adam Sandler e Drew Barrymore, que conta a história de um homem que se apaixona perdidamente por uma mulher. Porém, há um problema: a moça sofre de falta de memória de curto prazo, o que faz com que ela rapidamente se esqueça de fatos que acabaram de acontecer. Com isso, o rapaz é obrigado a conquistá-la, dia após dia, para ficar ao seu lado.
Vejo isso claramente na Geração Y. Talvez pela fácil mudança de opinião e flexibilidade que possuem, os fatos passados não são tão marcantes e podem ser esquecidos mais facilmente.
Ficam algumas perguntas que me levam à reflexão:
Será que os jovens de hoje estão vivendo tudo como se fosse a primeira vez? Não por uma falta de memória, e sim porque as coisas acontecem em uma velocidade tão rápida que eles já não se importam mais com certos acontecimentos?
Será que o desapego das próximas gerações será ainda maior que o da geração Y? Ou será que o mercado de trabalho atual os está ensinando que, para se conquistar algo, é preciso pensar no hoje e criar, a cada dia, uma nova base para enfrentar os desafios?
Ainda reflito muito sobre essas respostas e confesso que elas se modificam dentro de mim a cada instante. Acho que, como baby boomer, também estou começando a encarar a realidade do mundo moderno como se fosse a primeira vez!





“A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios.”
Acho que a frase reflete o que nós Y pensamos sobre este assunto.
Não adianta ficar remoendo e carregando os fatos pro resto da vida, ignora e bola frente. Realmente é o desapego rs.
Não acredito que seja falta de memória, acredito que o Y é mais confiante e encara tudo de peito aberto, sem medo e corre com tudo na mesma velocidade com que acontece.
O que passou calou … o que virá dirá!!
Beijos
Nati
Nati querida,
Grata por seu comentário!
Um beijo!