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Por Eline Kullock

Estive pensando nos últimos dias nas razões que podem justificar a baixa autoestima da minha geração, os baby boomers, versus a alta autoestima da geração Y.

É claro que existem todas as diferenças sobre as quais já falei aqui no blog, sobre as etnias consideradas “puras”, européias, onde cada povo tem um centro de união que busca preservar sua cultura, como a Inglaterra, a França, a Alemanha, em contraponto a um país miscigenado como o nosso.

Tivemos que lidar com a imensa mistura de povos de forma pacífica (ou nem tanto, já que os portugueses que me desculpem, mas mataram quase seis milhões de índios), num sincretismo religioso, musical – que junta a tristeza e profundidade do fado, o batuque africano e a sonoridade das palavras indígenas (de onde vocês pensam que vem as palavras açaí, abaeté, tijuca, morumbi, ipanema?) – inventando a música popular brasileira.

Mas mesmo nesse Brasil – confluência de índios, portugueses e africanos, o nosso povo teve dificuldades de explicitar o seu incômodo e descobrir o que Darci Ribeiro chama de nenhumidade brasileira. Nenhum de nós é negro, nem português, nem índio. Todos são, mas nós não somos.

Somos sim o malandro, aquele que corre por fora e tira vantagem.

O brasileiro não se uniu, porque não lhe foi dada a oportunidade de integrar-se a nenhum conceito étnico. É daí que vem a falta de brasilidade, o descompromisso com o outro, o vizinho, o mais pobre que mora ao lado. Não percebemos este país como algo integrado, sincrético.

Essa história, aliada ao descontentamento com a Ditadura, o modelo sócio-econômico perverso que não igualava as pessoas, não deixou que nascesse o orgulho de sermos um povo. E todos os outros são bons, menos nós, convencidos de que somos preguiçosos, indolentes, sem alma, incorporamos o papel de submissos, de que é isso o que a vida nos reserva.

Entretanto, criamos nossos filhos de maneira diferente. De forma a se orgulhar mais da brasilidade, da sua própria capacidade, mesmo vivendo numa nação fusionada, misturada, embolada. Por uma conjunção de fatores, o Brasil desbrasileirado cresceu, desabrochou, virou alvo do mundo, não é mais o país do futuro. É o país do presente!

Além disso, as nações desenvolvidas passam por uma crise financeira, mas uma crise de identidade também. Os Estados Unidos estão ficando latinos, a Europa vai ficando muçulmana e nós vamos rodando no sentido inverso, aceitando as diferenças e nos percebendo pertencentes.

Enquanto o “mundo puro” se confunde com tantos povos e raças reivindicando espaço e credibilidade, nós já passamos por esta fase, acostumados ao processo de convergência.

Aí reside outra explicação para a autoestima dos nossos filhos ser tão mais alta do que a nossa. A gente os inveja e os admira ao mesmo tempo. Eles são heróis e vilões da nossa história, da nossa casa, de nossa empresa. São nosso futuro refletido. E é por esta identificação que eles ocupam tanto espaço.

Eureka! Acho que fiz um link entre o povo e o modelo mental dessa geração!

E você não sabe o que é Eureka! Digita aí, ô sem noção!

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