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Por Manuela Mesquita

Twitter chega à sala de aula como ferramenta para aprender técnica literária”, o título da matéria publicada no Estadão no último dia 18 é autoexplicativo, embora surpreendente.

Já discutimos aqui muitas vezes sobre o atraso da escola em relação aos métodos de ensino, a pouca preparação dos professores para lidarem com os alunos da geração atual e os meios arcaicos que muitas vezes são utilizados para a transmissão de conteúdo.

O próprio Mário Sérgio Cortella que, além de professor, é ex-secretário municipal de Educação de São Paulo, já afirmou em entrevista ao Foco em Gerações que parte do conteúdo escolar está ultrapassada ou extremamente datada para os jovens de hoje.

Não é a toa que a notícia do Estadão nos cause admiração e incite algumas perguntas. Será que funciona? Este realmente é o caminho? Não estamos restringindo o pensamento de ‘nossos alunos’ a algo superficial e contido demais que caiba em 140 caracteres?

Muitos, certamente, se farão estas perguntas. E as respostas provavelmente teremos só daqui a alguns anos. Mas o que quero destacar é a iniciativa deste professor em tentar inovar, encarar um mundo que não é seu, inteirar-se e se manter atualizado para atrair a atenção de seus alunos, num esforço de conseguir transmitir o conhecimento para estes jovens, que sabemos que estão cada vez mais ligados em tecnologia, na comunicação rápida, na superficialidade, parecendo se distanciar a cada dia do mundo literário.

Acredito sim que os professores, assim como os pais e as empresas, tenham um desafio imenso em transformar métodos e mover estruturas consolidadas há anos para se modernizarem e até entenderem um novo modelo mental. Mas, em minha opinião, este professor da reportagem tem sim um grande mérito em passar por cima das engessadas normas pedagógicas para alcançar seu público, numa tentativa inteligente e moderna de entrar em contato com este universo.

E, exageros à parte, não me pareceu, ao ler a matéria do Estadão, que alguém está saindo prejudicado com isso. Ao afirmar que, mesmo tendo permitido, nenhum dos textos que recebeu possuía abreviações de internet, o professor demonstra que inserir uma rede social no conteúdo didático, não necessariamente implica em estimular vocabulários bizarros que vemos muitas vezes por aí.

O mundo está conectado e não volta mais ao que era. Pensar que estar inserido nas mídias é sinônimo de não ter o que fazer, é um pensamento retrógrado e que não cabe mais nas discussões. Se o caminho para conseguir ‘estar mais perto’ dos jovens e compreender mais do universo que está se configurando ao nosso redor é recorrer aos novos meios, acho sim que devemos fazê-lo, e mais ainda as escolas, que precisam encontrar ferramentas para alcançar seus alunos.

E os alunos? Não deveriam mudar seu comportamento? Essa já é discussão para outro post…

O importante é que as instituições cumpram seu papel e corram do que já está mais do que atrasado.

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One Response to “O Twitter e a sala de aula: alguma relação?”

  1. Rogério disse:

    É muito importante que o professor esteja “antenado” naquilo que os alunos usam. Fico com medo dos ditos educadores que rejeitam qualquer modernidade. Convivo com professores que, ainda hoje, têm medo do computador. São pessoas dependentes em tudo das outras pessoas. Pra fazer um cadastro é preciso de ajuda, pra ligar o multimídia, os alunos ajudam. Fazem tudo isso e se limitam a repetir as “aulinhas” (pejorativo mesmo) de seus caderninhos do tempo de faculdade ainda.
    Todo e qualquer professor deve usar as ferramentas que estão disponíveis. Não para estar na moda, mas para não ficar para trás na velocidade das tranformações.

    P.s.: o link para seu texto me foi passado pela @AnimandoC.

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