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Por Eline Kullock

Há algumas semanas, foi publicada em diversos jornais a notícia de que a Apple, junto à Igreja Católica, havia lançado um aplicativo de confissão via iPhone.

O funcionamento é o seguinte: após o cadastro do nome, o usuário é direcionado a uma tela com os dez mandamento, escolhe o pecado cometido e, em seguida, começa a confissão virtual. Se o pecado não se encaixar nos dez mandamentos, há a opção de adicionar um novo. Após o término, aparece um tutorial que indica as orações para que o usuário possa se livrar de seus pecados.

Diversas polêmicas foram geradas acerca do assunto, inclusive com intervenções do Vaticano, que voltou atrás depois de ter apoiado a iniciativa da Apple em lançar o aplicativo.

O fato é que estamos entrando, inegavelmente, em uma nova era. Não me cabe aqui discutir a tecnologia, mas a eficácia do método em relação ás novas gerações. Talvez essa confissão nem seja, mesmo, usada pelos mais velhos, acostumados a buscar na sua igreja um momento de fé, de paz interior: o verdadeiro e almejado “encontro com Deus”.

Eu me pergunto se, no contexto atual que vivemos, de relações virtuais e, eventualmente, pouco profundas, esse aplicativo pode virar um momento de deboche, de irreverência, de brincadeira.

Sabemos que os jovens foram criados em um mudo mais caótico, assumindo diferentes “personas” pela vida afora, seja quando estudam, quando brincam com os joguinhos virtuais ou, até mesmo, quando estão em grupo, nos momentos de “ crowdsourcing”.

O que me preocupa aqui não é a tecnologia e sim a forma como esse aplicativo será usado, porque ainda acredito firmemente que algumas ações devem ser presenciais, sob pena de não alcançarem a eficácia desejada. A pausa para o encontro consigo mesmo, por exemplo, é essencial.

Garantir que o momento da confissão não esteja inserido dentro de uma balada ou da sala de aula será, certamente, uma tarefa complexa para a Igreja.

Isso porque a confissão, por si só, não faz sentido pra nós, baby boomers. Ela se realiza dentro de um contexto. E vejam que quem fala aqui é uma mulher judia. A questão transcende a religião.

Questiono, novamente, a capacidade da geração Y de estar por inteiro em uma atividade.

Será que esses jovens conseguem deixar de lado, por alguns minutos, a habilidade de serem multitarefa? Vale observar os acontecimentos cotidianos para podermos responder juntos a essa questão.

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3 Responses to “Confissão virtual: confrontando os valores de uma nova era”

  1. Oi Eline,
    Também não discuto a tecnologia, mas com problemas tão básicos quanto os que Igreja Católica tem em mãos, será que ela espera ser “absolvida” por aderir a uma modernidade como essa ?

    Pelo lado da meninada, eu diria que não passa de uma brincadeira a mais. E como tal, não será levada a sério. Há muito mais a fazer com eles do que pretender inserir algum tipo de religiosidade ou “momento de introspecção” através de formas tão superficiais quanto a que eles estão acostumados no dia a dia.

    E parabéns pelo blog.

  2. Mauro Segura disse:

    Caramba.. vou já me conectar pois acabei de cometer um pecado… a gula!!

  3. Querida Eline,
    Como sempre, colocações mais do que pontuais e necessárias ao contexto desse acontecimento!
    O mundo está mudando e não podemos fechar os olhos diante de tão notável verdade…
    Beijos! Parabéns por sua incrível habilidade com as palavras!!

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