
Por Eline Kullock – @elinekullock
Hoje em dia, observamos que a geração Y participa muito da gestão da casa. São os jovens que decidem onde será o almoço de família no domingo, qual será o programa do feriado, o que a mãe deve comprar no supermercado, entre outras escolhas que acabam ficando por conta dessa tropa, cada vez mais soberana em seus lares.
E, se eles ficam tão acostumados a imperar sobre seus pais, como fica tal questão dentro da escola? Quando chegam a esse lugar “estranho” e, a princípio, desconhecido, será que agüentam a frustração por não poderem mandar do mesmo modo como fazem em casa?
O fato é que fomos dando para os nossos filhos todas as comodidades possíveis. Não colocamos os limites necessários, porque todos os pensadores falavam em “liberar a criatividade e a autonomia” dos jovens, já que vínhamos de uma geração castrada, impedida de fazer o que desejava. Afinal, nós, os baby boomers, somos filhos da geração de veteranos, ou Empreendedores, como eu digo – recém-chegados da guerra, com uma noção de autoridade muito forte.
Não queríamos essa mesma educação para as nossas crianças e, por isso, fomos permitindo que elas questionassem mais.
Autorizados pelos próprios pais e pela gestão da casa que se torna, então, mais democrática, os jovens passam a opinar em tudo o que faz parte da dinâmica da vida familiar. E, com tanta autonomia, chegam à escola querendo que tudo seja da mesma maneira. O professor não é mais a única fonte do saber, como seus pais também não o são. Eles próprios se acham capazes de trazer o novo conteúdo para a sala de aula, explicando e compartilhando com os colegas.
Portanto, me pergunto: como a escola deve lidar com isso? Penso que, talvez, o papel das instituições de ensino seja direcionar a curiosidade do jovem. Fazê-lo aprender a pesquisar, despertando a vontade pelo conhecimento. Nesse contexto, a forma passa a ser tão importante quanto o conteúdo. O professor não está mais ali para passar um conceito, e sim para cativar o aluno.
É preciso usar recursos diferenciados, promover o crowdsourcing e incentivar pesquisas utilizando as redes sociais. O professor precisa mostrar a esse estudante que ele deve ser colaborativo para receber, da mesma maneira, a colaboração nos seus próprios processos de pesquisa.
E qual seria esse novo conteúdo? A cada dia, ele se transforma e evolui. São necessárias novas informações de modo que o jovem esteja pronto para o mundo do futuro.
Precisamos preparar essa geração para resolver problemas que ainda nem sabemos que são problemas, com tecnologias que ainda não foram inventadas, para um mercado que ainda não é a nossa realidade.
Estamos prontos para isso?




