Feed on
Posts
Comments

Por Eline Kullock – @elinekullock

Chamo essa geração que fica até mais tarde na casa dos pais de Geração Canguru. No Brasil não há cangurus, mas se vocês já puderam observar em algum filme, o canguru é um marsupial. Esse nome é dado aos mamíferos cujas fêmeas têm uma bolsa na qual o filhote se aloja depois que nasce para terminar o seu desenvolvimento.

O filhote do canguru, a partir de uma determinada idade, sai da bolsa para viver a sua vida e depois volta, em busca de conforto e proteção. Vi cangurus enormes que cismavam em voltar para a bolsa de suas mães, e quase não cabiam nelas, de tão grandes que já estavam. É uma figura meio ridícula e patética, mas acontece e muito no mundo animal.

Pois é. No universo dos seres humanos, não é tão diferente. Os jovens de hoje querem ficar em casa até mais tarde, mas desejam ter toda a liberdade do mundo para sair e entrar quando bem entenderem. Na verdade, o quarto deles é um apartamento em si. Uma vez, um pai me contou que seu filho tinha pedido de presente de aniversário um frigobar. Segundo o pai, se ele desse o presente, o filho não precisaria mais sair do quarto. Ele passaria pela casa, mas seu mundo seria o quarto.

Alguns pais e filhos sorriem diante dessa idéia de criar casas separadas dentro de um mesmo lar. Eu dou o nome a isso de “tocas” A gente vai vivendo em tocas, muitas vezes utilizando pouco a sala de casa para conviver com os demais moradores da “oca”.

O mais engraçado da Geração Canguru é que a estrutura hierárquica que havia dentro de casa, em que papai sabia tudo e existia até a “cadeira do papai”, desintegrou-se. Hoje, papai não sabe mais coisa nenhuma e todos sabem um pouco de tudo. Os filhos se sentem poderosos, com influência nas definições da casa, com conhecimento de tecnologia que lhes permite ensinar como mexer num celular novo ou num controle remoto.

Os pais pedem opiniões a eles sobre como se vestir. Porque, pelo fato de o Brasil ser um país jovem, a gente quer se vestir e se sentir como tal. Para isso, pedimos até a aprovação dos filhos para saber se “estamos bem na foto”. Eles opinam sobre tudo, o tempo todo. O que eles não sabem é que não era assim quando éramos jovens. Há uma mudança não-verbalizada no comportamento, que influencia a sociedade em que vivemos. Além do mais, com essa postura, concedemos a esses jovens um poder muito grande, que só cresce a cada dia.

São esses pequenos cangurus que entram e saem quando querem, mesmo que a casa já seja pequena para eles. Mesmo que fique pesado para nós. Mas, por culpa ou receio, deixamos de lhes dar o limite que devemos impor. Pergunto-me como lidaremos com isso, principalmente com a chegada das novas gerações, cada vez mais exigentes e autocentradas. Fica a reflexão para todos nós, em casa, nas escolas e dentro das organizações.

Related Posts with Thumbnails

Deixe Seu Comentário