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Por Eline Kullock – @elinekullock

É muito importante, quando contratamos gente jovem e talentosa para as empresas, a questão da retenção dessa tropa. Eles são exigentes, sabem que o mercado brasileiro, diferente do mercado americano ou europeu, está aquecido, tem uma alta autoestima e acreditam de verdade que possam conseguir outro emprego com as suas habilidades e competências. São muito seguros de si. Como retê-los? Como engajá-los? Não é uma tarefa fácil. Eles nos requerem o tempo todo, desejam mais e vibram por novos desafios, não querem ficar “carimbando papeis” nem por um segundo. Então, vamos, logo de início, trabalhar as expectativas que eles têm em relação à empresa.

Tenho sempre uma historinha pra contar e, aqui, acho que cabe falar da jovem da geração Y que foi contratada por uma empresa e entrou muito animada com seus desafios. Ela atuava em Recursos Humanos, e a sua gestora estava consciente de que deveria motivá-la para retê-la. Então, quando chegou a época de final de ano, pediu que ela preparasse a tradicional festa de confraternização. Essa não era sua atividade básica, mas sabemos que envolver os jovens em projetos é uma maneira poderosa de engajamento. A gestora pediu a sua funcionária que verificasse como foram feitas as festas anteriores para ter como base no seu novo projeto.

No dia da reunião sobre o assunto desenvolvido, a funcionária mostrou-se muito proativa. Já havia encontrado dois ou três lugares e já tinha os orçamentos para entender o custo envolvido, além de bolar uma festa à fantasia, com jogos e competições. O tema se relacionava a super-heróis, porque todos eram heróis na empresa! Ela trabalhou no projeto com muita dedicação e estava animada com a tarefa.

A gestora ficou muito contrariada. Uma festa à fantasia estava fora de cogitação naquele banco, uma empresa que, por princípio, não pode relaxar e tem um ambiente mais formal de trabalho. Ela expressou seu descontentamento com a funcionária e, nas palavras da própria jovem, deu-lhe um “esporro”. Foi uma frustração só. A funcionária saiu da sala refletindo sobre as outras propostas que tinha recebido e compreendendo que aquela organização não permitiria inovações. Já a chefe ficou pensando que essa geração é ousada, mas acha que pode tudo.

O que aconteceu aqui? Foi um grande erro de comunicação e de gerenciamento de expectativas. Nos nossos dias, explicar claramente quais são as regras do jogo é atividade fundamental. É como em um jogo de futebol: as regras devem ser claras. É preciso delinear bem as margens do campo, mesmo que algumas coisas pareçam desnecessárias, como explicar que, no futebol, só o goleiro pode segurar a bola com as mãos!

Todos saíram irritados da reunião e o nível de motivação da nova funcionária foi “para o pé”. Tudo isso poderia ser evitado se a comunicação fosse mais clara. Se a chefe tivesse deixado claras os objetivos que tinha, e definido melhor os parâmetros que norteariam o conceito da festa.

Às vezes, não mensuramos bem as expectativas que temos e que os jovens têm quando entram na nossa organização. Trabalhar a gestão das expectativas é fundamental para o processo interno de integração das pessoas, para estabelecer uma comunicação clara dentro da empresa e para não gerar frustrações que possam levar à perda de um jovem talento.

Isso acontece com mais frequência do que imaginamos. Nem sempre essas frustrações são verbalizadas, até que um dia esse funcionário da geração Y entra na nossa sala pedindo demissão. E a gente fica sem entender essa geração, que nos parece tão instável….

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