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Por Eline Kullock – @elinekullock

Parece que a geração Y tem um certo dogma de que, por não gostar de “tapinha nas costas”, “sorrisinhos falsos” e de toda a dinâmica organizacional que norteou as relações de trabalho dos baby boomers, é como se ninguém devesse nada a ninguém. Isso significa dizer: meu chefe é meu superior hierárquico e não devo “puxar o saco dele”, não devo tentar agradá-lo o tempo todo, não preciso falar da minha vida para ninguém e, se “eu estiver a fim”, dou uma risadinha ou outra.

Porém, o mundo da organização não mudou. Não é porque você posta suas verdades no mundo virtual que precisa agir da mesma maneira dentro da empresa em que trabalha. Tenho uma história interessante para contar, do funcionário da geração Y que recebeu uma bronca enorme do seu chefe e não respondeu nada. Ele tinha feito um relatório muito abaixo da sua capacidade, com erros grosseiros, em que as somas não batiam. O gestor estava furioso e comunicou isso ao RH, pedindo que eles estivessem presentes quando ele fosse dar o feedback ao trainee.

O RH esteve junto na reunião e reconheceu que o chefe não foi arbitrário na comunicação, não se excedeu, ateve-se a fatos e não a julgamentos pessoais (que eu acredito ser a melhor maneira de manter a eficácia do feedback). Mas o jovem talento não respondeu nada. Limitou-se a ficar de cabeça baixa e concordar que o trabalho poderia ter sido feito de outra maneira. A reunião terminou em uma hora e, no final do expediente, quando o RH entrou no Facebook, o jovem havia postado um comentário logo após a bronca: “Acabaram com a minha semana feliz”.

Essa postura de anticomunicação não ajuda em nada. Chamo de anticomunicação porque, embora você não se comunique diretamente com seu superior hierárquico, faz uma coisa ainda pior: comunica-se com o mundo todo, sem dar ao seu chefe a posição de interlocutor. Sem permitir uma relação honesta, aberta, de amizade e de respeito com ele ou com a área de RH, que deve ser sempre sua parceira.

Vejo que a geração Y não quer deixar transparecer nenhum dado que possa lhe atribuir o nome de “submisso” ou “puxa-saco”, mas as boas maneiras serão sempre necessárias. Se você tiver que pegar um cafezinho, faça isso. Essa atividade não o desmerece nem o coloca numa posição de “fraco”. Faz parte das gentilezas da vida. Abrir a porta para alguém passar, pegar uma caneta ou um documento não o fará menor, menos eficaz, mais humilde, menos seguro de si mesmo. É uma gentileza que deve ser preservada sempre. É boa educação, exemplo de respeito, de consideração.

Agora, quando você estiver precisando caminhar, como a gente sempre precisa, levante-se da sua mesa e pergunte se alguém está precisando de um café. Ou de uma caneta! Você ganhará mil pontos a seu favor. E vão falar para sempre da sua boa educação!

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One Response to “Geração Y: uma questão de educação”

  1. Heitor disse:

    Muito interessante o blog!
    Sou da geração Y, e em primeiro lugar, acredito que ter a oportunidade de trabalhar em uma empresa já é ótimo, por isso muitos jovens deveriam respeitar muito mais o ambiente de trabalho, que para mim é sagrado.
    Mas sinto que, do outro lado, o mundo da organização é um mundo que, em determinadas organizações, foge completamente do que é o mundo real para se ater a atender às vaidades de seus consumidores sem realmente ter valores positivos para a geração Y, ou seja, seus prováveis futuros profissionais “experientes”. E talvez os novos profissionais não se adaptem bem de início (e talvez nem deveriam se adaptar a isso). Acho evidente que o sistema “sufoca” cada vez mais as novas gerações, que tem o papel de, de alguma forma, modificá-lo. Se adaptar por vezes é bom, mas dependendo do caso, pode ser um desperdício de massa encefálica. Afinal, a história mostra que, por vezes, as sociedades mudam, para pior ou melhor. Os desafios que vêm por aí são de ordem natural, social, e para esses desafios o dinheiro não conta, pelo contrário, é um dos causadores dos problemas. Parece um pensamento pequeno eu citar que o motor das empresas é apenas o dinheiro, mas no fundo de muitas teorias complexas nas empresas e de tantas mentes brilhantes, no fundo, tudo se afunila em três letras direcionadoras: ROI (retorno sobre o investimento). O marketing ainda tem muito o que mudar. E isso, talvez, afete sim grande parte da geração Y. Pois me afeta, e essa miopia nas empresas me desestimula. Se pelo menos estivéssemos caminhando para a solução do problema de todos, sejam da ordem que fosse, algum pensamento coletivo que fosse nesse país, mas cada vez mais nos ensinam a precisar de mais produtos, a encarar o caos urbano como se fosse normal, a pagar caro por coisas que, ao invés de compradas, poderiam ser alugadas ou baratas (carros, outros serviços de transporte, serviços de comunicação), enfim, sem citar nosso governo, que é mais desestimulante do que se amputassem nossas pernas e braços. O jovem opta por abrir franquias, mas o governo poderia estimular o jovem a criar novas marcas, explorar novos mercados, com incentivos. Mas o governo vampiriza, não incentiva. Assim, o jovem depende de 30 anos de sua vida para adquirir capital suficiente para investir com segurança. Investe o que sobra de seu capital, porque não pode contar com ninguém.

    A geração Y, assim como todas as outras, é composta de seres humanos, que buscam, em sua maioria, a felicidade. Buscam caminhos que façam suas vidas terem sentido. Vejo que, no Brasil, são pouquíssimas as grandes empresas. E são muitas as pequenas e médias empresas, e a geração Y já povoa todas elas. Mas é completamente natural que haja um mal estar, mesmo nas pequenas empresas, que tendem a ser menos hierárquicas. Imagino que a adaptação é necessária, mas o que o jovem mais precisa é de incentivo. Não é saudável que o mundo continue sendo o que é, e a geração Y se adapte sem promover mudança alguma. Espero que as coisas mudem, e muito, e que as empresas possam se adaptar às necessidades reais das sociedades, tendo mais uma perspectiva de mudança (e por que não, de risco?) do que de manter as coisas sempre iguais.

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