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O futuro está bem à nossa frente. Nós o enxergamos plural, complexo, ambíguo, incerto e volátil. E isso nos torna – como executivos, empresários e cidadãos – ainda mais frágeis. Certamente, a empresa do futuro, assim como a do presente, terá que se acostumar com a geração Y assumindo uma importância cada vez maior nas organizações.

A tarefa é difícil porque os jovens brasileiros apresentam um modelo mental diferente daquele de seus pais, os chamados de baby boomers. Eles foram criados em uma época de Brasil subdesenvolvido, pouco reconhecido pelo resto do mundo e em um momento político ditatorial. Por conta do contexto da época, os baby boomers enfrentaram pais extremamente rigorosos e disciplinadores.

Esses “antigos jovens” – hoje pais da geração Y – foram às ruas pelo fim do regime militar, fizeram movimentos de paz e amor, assistiram à emancipação da mulher (que entrou definitivamente no mercado de trabalho) e quiseram, desesperadamente, educar seus filhos de uma forma diferente da rígida disciplina por meio da qual foram educados.

Nas escolas, pensadores como Paulo Freire, por exemplo, ganharam espaço e puderam implantar conceitos – como o da pedagogia libertária – que apontavam para um ensino que permitiria a transformação da personalidade dos seus alunos. Foi assim que, pouco a pouco, os jovens passaram a ter uma participação mais ativa no próprio processo de aprendizado, sendo mais ouvidos, mais respeitados e expressando mais suas opiniões.

Ao mesmo tempo, com o progresso na educação, as famílias também sofreram mudanças. A média de nascimentos diminuiu e a hierarquia familiar teve impactos. Os filhos ganharam a permissão de argumentar, escolher, criticar em casa. Antes, isso tudo era inimaginável.

Esses mesmos filhos, em virtude das mudanças exponenciais causadas pela tecnologia, protagonizaram uma inversão de papéis: hoje dão aulas aos pais e aprendem com seus pares. Eles possuem um modelo de aprendizado na base da “tentativa e erro” e tomam decisões mais rapidamente que as gerações anteriores. Uma das explicações para esse fenômeno pode ser a influência dos jogos eletrônicos em seu comportamento.

Outra mudança apresentada pela geração Y é a visão incerta de futuro, o que faz com que essa geração tenha a necessidade do prazer imediato, sem esperar pela sonhada “boa aposentadoria”, como seus pais e avós fizeram.

Como o Brasil ainda é um país jovem (47% da população está abaixo dos 25 anos), os pais da geração Y passaram a querer ser “jovens para sempre”, se comportando como tal, afinal ninguém quer ser velho em um país de poucos idosos, não é mesmo? Coincidência ou não, por aqui, as mulheres não se permitem ter cabelos brancos…

Dados e fatos como esses já nos fazem repensar o modelo estrutural das organizações. Então, a questão é: como se preparar para as mudanças que virão em um futuro próximo? Como lidar, por exemplo, com o conceito de home office? O assunto é muito discutido e pouco implementado no dia-a-dia das organizações. Se a dificuldade é crescente com o trânsito nos grandes centros urbanos e a exigência de redução de custos internos só aumenta, o “trabalho à distância”, inevitavelmente, faz-se necessário em qualquer tipo de empresa.

O novo modelo, por sua vez, obrigará as organizações do futuro a lidar com novas questões. E, desde já, será preciso preparar os gestores para a empreitada. Os desafios são inúmeros e passam pelas estratégias de motivação (como incentivar a retenção e como engajar a nova geração e mantê-la, sabendo a rotatividade nas empresas brasileiras aumentou bastante), pela identificação de novos líderes, pela implantação de processos sucessórios na liderança e pela avaliação da produtividade do trabalho, quando ele for realizado fora do escritório central.

Some-se a isso o cliente, afinal, não podemos esquecer dele. Ele está muito mais exigente e também passará a exigir especialização em suas áreas de atuação e conhecimento profundo de seus sistemas tecnológicos e valores organizacionais. Nos demandando, sempre, que sejamos especialistas em seus mercados e possamos lhe oferecer treinamentos.

O que fará a diferença para os profissionais, futuramente, serão a forma e a periodicidade com que se atualizam. Cada vez mais, viveremos praticando o conceito de life long learning (aprendizagem ao longo da vida toda). Portanto, aquele curso de graduação, de pós-graduação ou de MBA que você está fazendo hoje poderá se desatualizar rapidamente. O crescimento exponencial da tecnologia nos obrigará a nos mantermos sempre atualizados

Está mais do que provado que o futuro nos demandará uma nova visão cultural, educacional e socioeconômica. Quanto antes aceitarmos a nova realidade, mais estaremos prontos para mudanças dos próximos anos. Você está pronto para começar?

* Texto extraído do artigo “A empresa do futuro”, de Eline Kullock, publicado originalmente na revista PMKT21 (agosto 2013)

 

 

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