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Gestores e pais da geração Y, preparem-se porque o futuro já chegou. Quem viu o vídeo (http://www.youtube.com/watch?v=Ew_tdY0V4Zo) da jovem Marina V. Shifrin, que pediu demissão da empresa onde trabalhava por meio de uma dança original, postada no Youtube, vai concordar comigo. O vídeo viralizou na rede e muita gente viu a moça requebrando ao som da música “Gone”, do rapper Kanye West, em um protesto que parecia endereçado ao seu chefe, mas também ao mundo inteiro (senão, porque ela postaria em um site público?)

Marina gravou o vídeo no escritório da Next Media Animaton, onde trabalhava com produção de vídeos, e fez performances na sala de trabalho, no banheiro e em um estúdio. Pela legenda, ela conta que dava o sangue no trabalho, mas não era valorizada pelo seu chefe: ele só se preocupava com o número de acessos dos vídeos que ela fazia.  Mas, atenção: em momento algum ela ofendeu o chefe ou a empresa. Foi apenas a maneira que ela encontrou de “jogar a toalha”. Por isso, se vídeos assim se espalharem pela web e virarem uma febre no mundinho 2.0, é melhor encarar como uma bronca ou uma forma de se expressar do que rebeldia pura e simples.

Aliás, pedir demissão é um ato que foi simplificado pela geração Y. Conheci uma jovem estagiária de uma grande empresa que acreditava não ser respeitada pelo seu chefe. Ela comunicou a empresa que estava saindo e deixou o cargo no mesmo dia, sem dar esperar que encontrassem alguém para substitui-la. Para ela, o fato de não se sentir respeitada pela empresa dava o direito de também não respeita-la no momento de sua saída. E ponto. O chefe, claro, usou as “armas” previstas na lei: descontou os dias do aviso prévio, mas não so isso. Ele saiu denegrindo a imagem dela “no mercado”, na tentativa de manchar sua reputação. Claramente, ele não entendeu as razões da estagiaria e a mediu com a sua própria régua, de geração X ou Baby Boomer. Típico conflito de gerações no ambiente de trabalho.

Também lembro de outra situação parecida, na qual uma candidata a um estágio na área de direito se sentiu maltratada pela entrevistadora (sua potencial chefe) e fez um verdadeiro escândalo na entrevista. Em retribuição, a “chefe” passou um e-mail a seus amigos explicando a situação e pedindo a todos que espalhassem o nome dela aos conhecidos, evitando assim que fosse contratada em outros escritórios de advocacia. Quando recebi este e-mail, a lista de quem tinha recebido e repassado a informação já era enorme.

A atitude dos envolvidos nessas histórias podem nos ajudar a refletir sobre que legado cada um de nós quer deixar por onde passa. A relação entre chefias e funcionários está mais desgastada do que antes? Os ânimos estão mais acirrados? A geração Y acredita que o imediatismo é o melhor caminho? O fato do vídeo de Marina ter se tornado um hit faz dela um exemplo porque expressou a vontade de muitos jovens ou foi só um desabafo que todo mundo curtiu pela originalidade? Esta é a forma de comunicação oficial dessa geração quando encontra dificuldades na relação com seus chefes?

Esse cenário indica que a capacidade de comunicação dos gerentes (e dos pais dessa geração também) deverá ser mais do que simplesmente “boa”.  Marina se queixa, no vídeo, de que eram mais de 4 horas da manhã quando ela gravou as cenas “épicas”. Com as empresas cada vez mais exigentes, seja em relação aos resultados, seja em relação à dedicação de seus funcionários, o processo de integração entre chefe e subordinado (ou membros de uma equipe) precisa subir um nível e ser “excelente”.

Os jovens da geração Y estão dispostos a trabalhar duro, mas com o devido reconhecimento de seu trabalho.  Para eles, isso é sinônimo respeito. Esse é, provavelmente, o maior desafio dos gerentes da empresa do amanhã: escutar os sinais de sua equipe, ler as entrelinhas, entender o que não está sendo dito, explicar muito bem as estratégias da empresa e engajar os jovens. Afinal, é preciso lembrar que esta geração é mais imediatista do que as gerações anteriores. Eles vivem mais o “hoje”, sem pensar no futuro.

Vivemos em um Brasil de desemprego baixo e de qualificação cada vez maior, onde está mais fácil deixar um trabalho hoje e arrumar outro amanhã. Por outro lado, vivemos em uma sociedade que valoriza o “presentismo”, a vida do “agora”, o “carpe diem”.  Então, fica a impressão que é fácil pedir demissão dançando sobre as mesas: basta fazer um vídeo e publicar na internet. Parece que o único risco é de que vire um hit e o autor fique, no mínimo, “famoso”.  Mas e a reputação do “dançarino” ou da empresa, como fica? Vale a reflexão!

Em tempo: a empresa publicou uma resposta (http://www.youtube.com/watch?v=1ukGrwL4ky4 ) nos mesmos moldes, mas, coincidência ou não, não fez o mesmo sucesso do vídeo da jovem… Seria essa uma outra “resposta” da geração Y ao management dos mais velhos?

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