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Ainda que muitos pais resistam em presentear os filhos com jogos eletrônicos (ou aparelhos que permitam jogá-los, como celulares ou tablets), pensando que podem ser prejudiciais à saúde dos pequenos, não dá para fazer vistas grossas: os games são atualmente uns dos brinquedos preferidos das crianças.

 

No dia delas, por exemplo, não é de se admirar que seja um dos itens mais pedidos…  Para os que não resistiram e compraram jogos eletrônicos para este 12 de outubro, posso dar algumas boas razões para não se preocupar. Ao contrário do que acreditamos, os games podem ser até benéficos para o comportamento das crianças.

 

1)      Videogames ajudam no processo de resolução de problemas

Quem tem o hábito de jogar está acostumado a tomar decisões com muita rapidez. Isso porque, no game, o jogador é obrigado a escolher um caminho sem ter muito tempo para refletir, sob a pena de “morrer”, perder uma vida, não passar de fase ou qualquer outra penalidade. O jovem da “geração Gamer” acostumou-se a esse ritmo de tomada de decisão, tendo que fazê-lo mesmo sem ter domínio de todas as variáveis. Talvez por isso a vida organizacional pareça tão lenta para eles! O mundo de quem joga tem mais ação e respostas mais rápidas que a vida real. Quem se lembra da cena do filme “A Rede Social”, na qual os irmãos gêmeos Cameron e Tyler Winklevoss se dirigem ao reitor da universidade de Harvard, para reclamar que Marc Zuckerberg roubara a ideia deles? O reitor respondeu simplesmente que eles deviam voltar para o dormitório e desenvolverem um outro aplicativo! O importante, hoje, não é somente fazer o que vai atender às expectativas das pessoas, mas ser o primeiro a fazê-lo. Pensando assim, essa habilidade de tomar decisões rapidamente só pode ser benéfica, mesmo porque o próprio mercado pede de nós mais velocidade, já que a rapidez é essencial para ter sucesso no mundo atual.

2)      Videogames não vão tornar seu filho antissocial

Se você já ouviu falar de alguém que joga Farmville ou Candy Crush sabe que mesmo os jogos individuais pedem que estejamos em um ambiente “social”. No Candy Crush, por exemplo, é possível pedir ou dar pontos para os amigos. O Foursquare também é jogado em grupo. Segundo Jane McGonical, no seu livro “A realidade em jogo”, a sensação de “communitas” (de pertencer a uma comunidade), é extremamente poderosa porque envolve a união, a solidariedade e a conectividade social. No caso do Foursquare, por exemplo, a premissa é de que o indivíduo será mais feliz se sair de casa com frequência para encontrar-se com seus amigos. Quando você sai, na vida real, e faz o seu “check-in” em um restaurante, bar ou café, seus amigos são avisados para que eles possam se juntar a você, se estiverem por perto. Se você vai a um determinado lugar com frequência, pode se tornar o “prefeito” de lá. Portanto, para ganhar no Foursquare é preciso literalmente “marcar presença”, uma presença real e coletiva. Então, quem pode dizer que esse jogo não estimula a participação e engajamento na vida real? Há vários jogos que engajam os participantes em comunidades. Vários jogos que propiciam engajamento em comunidades diferentes, que integram, que estimulam os jogadores a fazer contatos. Claro que há jogos que isolam, mas como sempre, é necessário saber escolher de que jogos queremos participar e incentivar nossos filhos a jogar.

3)      Videogames oferecem reforços positivos, aumentando a autoestima dos seus filhos

Sabemos o quanto o reforço positivo pode ter um efeito benéfico na forma como uma pessoa aprende. Skinner demonstrou que a teoria do reforço é importante. Sabemos que, na sociedade massacrante de hoje, precisamos disso para acreditar em nossa capacidade e produzir mais e melhor.  Você terá melhores resultados quando elogiar uma atitude adequada, do que quando acusar ou repreender. Elogiando você dá poder ao outro e poder é, em última análise, um elemento essencial para passarmos à ação.

 

4)      Videogames desenvolvem pensamento estratégico

Você conhece alguém que já brincou em um simulador de construção de uma cidade? Ou que já descobriu que não consegue avançar no jogo se insistir em uma mesma maneira de fazer as coisas e se vê obrigado a elaborar uma nova estratégia para mudar de fase? Este tipo de pensamento, presente na maioria dos jogos eletrônicos, é o mesmo que uma criança vai precisar na vida adulta para tomar suas decisões e se integrar ao mundo em que vive.

Stephen Kanitz já falava sobre isso em 2005, em um artigo que escreveu para a revista Veja, http://veja.abril.com.br/121005/ponto_de_vista.html , no qual mostrava que a criança que joga e realiza mais sinapses (responsáveis pela comunicação), pode desenvolver melhor sua inteligência. Kanitz encerra seu artigo dizendo que os videogames estimulam o planejamento, a paciência, a disciplina e o raciocínio das crianças. Da mesma forma, de acordo com cientistas da Queen Mary University of London e do University College London, no Reino Unido, certos tipos de jogos de videogame podem ajudar a treinar o cérebro para se tornar mais ágil e melhorar o pensamento estratégico http://sites.uai.com.br/app/noticia/saudeplena/noticias/2013/08/22/noticia_saudeplena,145053/jogar-videogame-pode-melhorar-o-desempenho-do-cerebro.shtml. Vale a pena se informar e refletir.

 

5)       Videogames auxiliam a coordenação motora

O livro “Got Game”, de John Beck é baseado em informações coletadas com pessoas que jogavam e as comparando com não-jogadores. O resultado desse estudo mostrou que a coordenação motora daqueles que jogam é melhor do que a do outro grupo. Isso acontece porque a rapidez com que é preciso reagir às demandas dos jogos e o permanente exercício de coordenação ajudam a desenvolver as ligações entre o cérebro e os membros. Também segundo um estudo realizado na Universidade de Iowa (EUA), três horas semanais de videogame ajuda cirurgiões a errarem menos erros em procedimentos pouco invasivos. Ainda nesta linha, a revista Hypescience publicou um artigo em 2009, mostrando como os videogames melhoram a visão, o equilíbrio e a coordenação motora.

6)      Videogames podem ser um excelente instrumento de aproximação entre pais e filhos

Por incrível que pareça, os videogames podem ser verdadeiros aliados na relação com os filhos. Já se imaginou jogando um jogo de realidade alternativa com eles? Já pensou em um jogo mágico no qual seus filhos tenho todo o interesse em arrumar seus quartos ou limpar o banheiro? Pois bem, o Chore Wars http://www.chorewars.com/é um exemplo desse tipo de jogo, idealizado para facilitar a vida real. O britânico Kevin Davis o desenvolveu como uma forma de administração de tarefas cotidianas. Você soma pontos a partir de tarefas definidas como mais chatas ou desgastantes, nas quais você e seus parceiros definem quanto ganham partir de tarefas realizadas (é possível conferir no site http://urustar.net/blog/chore-wars)

Você também pode se envolver com seu filho na descoberta de novidades, usando o “Nike +”, jogo da Nike para quem corre usando tênis da marca, ou simplesmente se divertindo numa competição saudável em família.  Jogar videogame pode liberar “dopamina” no cérebro, a chamada “droga do prazer”. Ele se acostuma com a dopamina liberada da mesma forma que se acostuma com jogos de azar. Aproveite essa oportunidade para estar perto de seu filho quando ele ganhar. Estimulá-lo, ensinando a ele como ultrapassar uma fase ou elucidando regras mais complexas pode ser uma grande fonte de prazer para todos. É o chamado “prazer vicário”, expressão pouco utilizada no nosso vocabulário, mas que expressa bem o que sentimos ao ver nossos filhos conquistando algo: o prazer através do prazer do outro.

E você sabia que fazer o outro rir ou sorrir produz mais oxitocina no nosso cérebro do que o próprio riso? Diversos estudos identificam a oxitocina como “a droga do amor” (Something Funny Happened to Reward – G. Berns) , uma fonte intrínseca de prazer. Não dependemos de mais nada neste mundo para sermos felizes, basta a relação saudável com o outro.  É uma fonte renovável de prazer. É desse prazer que precisamos na vida.  http://veja.abril.com.br/noticia/ciencia/oxitocina-fortalece-relacao-entre-pais-e-filhos, e podemos senti-lo simplesmente por meio de uma relação boa com nossos filhos. Como nos mostra Paul Zack, neste vídeo, é a empatia que nos traz a confiança e isso nós podemos e devemos desenvolver com nossos filhos! http://www.ted.com/talks/paul_zak_trust_morality_and_oxytocin.html

Há uma palavra na cultura judaica que expressa bem esse sentimento: o “naches”, o orgulho pelo crescimento do outro, que estimula a seratonina e a noraepinefrina, substâncias que produzimos e que são ligadas ao prazer. Segundo o estudo de Arelíus Sveinn Arelíusarson, baseado nas pesquisas de Lazaro e Bateman, “naches” é uma fonte importantíssima de prazer. http://www.olafurandri.com/nyti/papers2013/Designing%20Computer%20Games%20Preemtively%20for%20Emotions%20and%20Player%20Types.pdf . Chris Bateman estudou as 10 mais fortes emoções geradas pelo videogame. E desenvolveu a teoria de que naches é a oitava delas. http://onlyagame.typepad.com/Player%20Typology.digra2011.pdf. É o chamado orgulho indireto. Aquela alegria que sentimos quando nossos filhos fazem uma conquista. Nos exultamos naturalmente de orgulho diante do sucesso de outra pessoa se a tivermos ajudado e encorajado em alguma conquista. Se não tivermos participado do processo de encorajamento e suporte, podemos nos sentir com ciúme ou inveja. Para gerar recompensa do tipo “naches”, temos que estar verdadeiramente empenhados na tarefa de orientação.

7)      Videogames melhoram a memória visual

A Universidade de Duke, nos Estados Unidos, fez um estudo demonstrando que as pessoas que jogam videogames regularmente são capazes de extrair mais informações de uma cena visual. http://www.sissaude.com.br/sis/inicial.php?case=2&idnot=18636 . Isso faz todo o sentido do mundo porque todos temos o que chamamos de plasticidade neural. Se nos educarmos para extrair dados de determinadas cenas, estaremos fazendo mais conexões neurais e ensinando nosso cérebro a pensar sobre isso. É como exercitar um músculo que fica mais desenvolvido, com o tempo. Então, mais um ponto positivo para os games e mais um motivos para joga-los com moderação.

Enfim, se todas essas razões acima – a maioria delas fundamentada por pesquisas – conseguiram convencê-lo ao menos de experimentar, jogue com seu filho ao invés de simplesmente vetar o brinquedo. Como nos ensinamos todos os dias a eles, não podemos dizer que não gostamos de uma comida que nunca experimentamos, não é mesmo?  Então, a ordem é Carpe diem!  E bom dia das crianças a todos!

 

 

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