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Compre, consuma, obtenha, troque, renove, acumule! Com palavras de ordem como essas, a sociedade do consumo apregoa por aí que é essencial se apossar da maior quantidade possível de produtos das melhores marcas que todo mundo já tem, menos você.

Assim, vai nascendo na gente aquela vontade de comprar e ter que não entendemos bem de onde vem. Afinal, quem nunca sentiu vontade de ter o último lançamento do I Phone ou tablet? Ou em outra escala, aquele carrão esportivo, melhor que o seu?

Na sociedade em que vivemos consumir é essencial e a felicidade ficou vinculada à posse de determinados produtos. A família é mais feliz usando a margarina “X”, usando os serviços do banco “Y”, usando creme dental da marca “Z”.

Sobre esse assunto, interessante comentar a teoria de Dan Gilbert. Para ele, felicidade natural é o que sentimos quando obtemos o que queremos e felicidade sintética é quando somos felizes mesmo sem obter o que gostaríamos.

Acredito que a sociedade nos faz acreditar que a felicidade sintética não é tão boa quanto a felicidade natural. Assim, nos faz acreditar que temos mais chances de sucesso se formos o feliz proprietário do carro XY, se morarmos em um apartamento de cinco quartos, se tivermos uma churrasqueira mesmo que não tenhamos onde colocá-la!

Esta é uma sociedade que não está acostumada a valorizar a felicidade intrínseca, aquela que vem de dentro, que nasce de bons momentos com amigos, ou de atividades como dançar, ler, estudar… Afinal, essas atividades tem um nível de consumo muito baixo, não é mesmo?

O happy hour, criado por esta mesma sociedade, é uma prova de como a felicidade é relativa para nós. Achamos que “momentos felizes” só podem existir em um determinado horário DEPOIS do trabalho. Já repararam que não há happy hour durante o expediente? Fica a impressão de que o trabalho não pode ser happy! Mas quem disse que só é possível ser feliz fora do trabalho? E se tentássemos ser felizes durante o trabalho? Parece que é a mesma coisa que dizer: “adoro comer legumes. Mãe, hoje eu quero muito espinafre, chuchu, berinjela, jiló e abóbora! Não rola?”

Assim, ficou decretado, nas entrelinhas: ter felicidade no trabalho é algo irreal! Na verdade, não é, mas é isso que a sociedade do consumo quer que a gente acredite. Além de tudo, essa crença nos faz sair do trabalho, encontrar os amigos e consumir mais. Nos faz beber (porque só podemos ser felizes depois do terceiro chope) e comemorar.

Onde fica a nossa capacidade de transformar o trabalho em um lugar bom, legal, divertido, happy, e fazer do “happy hour” um “happy day”? Quem disse que alegria é coisa pra depois do trabalho? E onde fica a nossa própria capacidade de sentir, de querer, de transformar, de ser feliz? Terceirizamos pra sociedade até isso. Incorporamos o happy hour nas nossas vidas e não questionamos se no trabalho somos ou podemos ser felizes. Quem manda nas nossas vidas, afinal? Quem manda na nossa capacidade de ser feliz? A mídia? O marketing das grandes marcas? Só depois da terceira bebida? Que tal experimentar fazer um happy day inteiro no trabalho? Impossível? Quem disse?

 

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